Foram cinco dias, uma semana inteira que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) dedicou a discutir e refletir sobre o futuro do emprego na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Chamou-lhe Semana do Empregador e fê-lo conjuntamente, online e presencialmente, em várias áreas geográficas, com diversas empresas e entidades convidadas, entre elas a myMentor.
Desenvolvida pela Associação Better Future, em parceria com o IEFP e a ANQEP, esta plataforma de gestão de carreiras tem financiamento, entre outros, da Fundação Santander, e constitui uma ferramenta útil para empregadores e pessoas à procura de emprego e para a realização de ações de reskilling e upskilling, daí a sua presença no evento. Ao Dinheiro Vivo, Inês Menezes relatou como foi participar na Semana do Empregador, iniciativa pensada para preparar "conjuntamente o futuro das profissões e facilitar, no presente, a aproximação entre empregadores e candidatos a emprego, inscritos nos Centros de Emprego do IEFP", como esta entidade a descreveu.
Isto foi a Semana do Empregador, organizada pelo IEFP na Região de Lisboa e Vale do Tejo que teve como grande objetivo preparar conjuntamente, com as entidades presentes, o futuro das profissões e tentar aproximar, de alguma forma, aquilo que são as necessidades dos empregadores e a população ativa disponível para trabalhar.
O objetivo da Semana do Empregador do IEFP "é inteiramente reconhecido como um dos objetivos da myMentor: para além da capacitação e da preparação das pessoas para o mercado de trabalho", diz Inês Menezes. "Como a plataforma myMentor tem de trabalhar neste sentido, o IEFP entendeu que faria sentido incluir-nos nalguns destas webinars e talks acerca da reflexão conjunta sobre o futuro das profissões."
Conta a responsável que logo no primeiro evento em que participou, que decorreu em Tomar e tinha por tema Transformações do mercado de trabalho, desafios, competências e papel dos empregadores, teve oportunidade de falar perante uma plateia em que estavam, em grande parte, empresas e depois formandos, alguns ou a maioria do IEFP - "que, portanto, estão a acabar as suas formações e que se vão candidatar ao mercado de trabalho" -, técnicos de emprego, também do IEFP e psicólogos de agrupamento e escolas.
Em termos da sua contribuição, aquilo que pôde fazer foi: "Uma reflexão profunda das funcionalidades da myMentor e de que forma é que nós podemos dar uma resposta sobre estas transformações do mercado de trabalho emergentes e como é que pode haver esta aproximação entre aquilo que são exigências dos empregadores e as competências da população ativa disponível para se candidatar."
Inês Menezes diz que a myMentor "tem um manancial de informação muito grande" para colmatar este gap. Isto porque, como um dos dois grandes objetivos da sua plataforma é a capacitação das pessoas que estão à procura de emprego, criou ferramentas que ajudam e facilitam essa procura de emprego com algoritmos de Inteligência Artificial. Estes, descreve, agregam o mercado de trabalho online - os anúncios de emprego que estão dispersos pela internet - numa única funcionalidade e apresentam tudo organizado por profissão, região e data. "Quem procura emprego tem aqui a oportunidade, de forma muito mais agregada de encontrar aquilo que procura", conclui.
"Para além disso", continua, "temos também uma série de informação - tutoriais, vídeos, etc. - com especialistas que abordam o tema da preparação para o mercado de trabalho. Ou seja, como é que nos devemos posicionar perante uma entrevista, como é que devemos atualizar as nossas competências e estar a par das necessidades do mercado de trabalho e, depois, todas as outras informações, enfim, desde a construção do CV e do currículo, até como nos prepararmos e respondermos às perguntas do entrevistador."
O segundo aspeto para o qual a myMentor também está muito vocacionada, e que pôde partilhar com os presentes, foi acerca de que como se devem ajudar as empresas, por um lado, os técnicos de emprego e, por outro, as pessoas individualmente na gestão da sua carreira, a perceberem quais são as grandes mudanças do mercado de trabalho, em termos de competências e do futuro das profissões, de modo a fazerem atualizações a tempo e horas antes de ficarem desempregadas. Como? Através do reskilling - mudança de rumo profissional - ou do upskilling - aumentar de competências dentro da sua função, explica a responsável.
"Portanto, foi um bocadinho que nós contribuímos, este partilhar de conhecimentos e esta demonstração das ferramentas que temos ao serviço destes dois grandes objetivos - obtenção de emprego e upskill/reskill para candidatos, para empresas, para técnicos de orientação de emprego que ajudam as pessoas a percorrerem estes caminhos", explicou Inês Menezes.
Resta saber se os técnicos de emprego do IEFP, logo pertencentes ao Estado, estarão vocacionados para para transmitir essa necessidade de mudança de rumo e de aquisição de novas competências à população ativa desempregada.
Inês Menezes diz que, do que sentiu ao longo da Semana do Empregador, mas também dos últimos seis meses em contacto muito direto com os Centros de Emprego do IEFP, quer com os Centros Qualifica da ANQEP (Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional) quer de instituições como a Rede Emprega, que estão dedicadas ao tema da empregabilidade e do perfil e atualização de competências, é que há, de facto, uma consciência grande e cada vez maior de que há necessidade de oferecer serviços que ajudem a população portuguesa a percorrer este caminho, que é urgente.
"A myMentor tem estado a trabalhar nos últimos três anos exatamente na obtenção desta informação", avança Inês Menezes. "E uma das informações que já disponibilizamos na plataforma é quais são as profissões com mais empregabilidade em Portugal: podemos ter o retrato dos últimos três meses em termos de setor, profissão e regiões. Portanto, eu posso, de uma forma relativamente simples, ter a realidade do mercado de trabalho atualizada ao dia e com 90% de representatividade dos anúncios de desemprego online", explica a responsável da plataforma.
"Para além disso, nós temos aqui toda a informação das 3.000 profissões existentes no mercado e respetivas competências e esse é uma manancial de informação que nos ajuda a perspetivar o futuro", disse Inês Menezes.
Outra ferramenta crucial que a myMentor vai ter, a curto prazo, na plataforma, explicou a responsável ao Dinheiro Vivo e na mesa-redonda do Seixal, no dia 24 de maio, "é disponibilizar um conjunto de informação sobre as competências que os empregadores ditam atualmente serem as mais importantes, quer em termos de profissões, quer em termos de região."
Baseando-se na informação do dicionário da ESCO, a do European Skills, Competences, Qualifications and Occupations - e Inês Menezes garante que vai tê-la - a myMentor poderá depois fazer uma comparação das ofertas de emprego dos últimos 2 anos e, daí, extrapolar para aquilo que os empregadores requerem e ditam que sejam as competências necessárias no recrutamento para determinadas funções e em determinadas regiões.
"E isto vai ser uma vai ser também um tanque potencial de informação para políticas públicas, para políticas de novas formações, enfim, para definição de campos de empregabilidade brutal, porque nós vamos ter informação atualizada sobre competências, competências por profissão e competências como por região", afiança a fundadora da myMentor.
A concluir a sua participação na Semana do Empregador do IEFP, a plataforma de gestão de carreiras ainda passou na quinta-feira, 25 de maio, pelo Centro de Emprego de Alcoitão para, em mais uma mesa-redonda, falar de O impacto da Inteligência Artificial na sociedade, nas competências emergentes.. Na sexta-feira, para concluir, houve uma sessão de informação, praticamente só para empresas, em que o tema também foi como é que a myMentor pode ser utilizada como instrumento de diagnóstico de competências, e competências atuais e competências futuras.
E como é que pode?
"Uma das ferramentas que eu acho que é talvez das mais valorizadas na myMentor, é o facto de ter três diagnósticos de avaliação de competências: transversais, digitais e profissionais, a que acresce também a de perfil do empreendedor", explica Inês Menezes. "Para além de devolver um resultado num score, consoante cada perfil, devolve um conjunto de informações adaptadas ou em match com cada uma destas competências. Portanto, é possível eu saber, ao dia de hoje, as competências que tenho, as de que necessito e as formações indicadas para adquirir competências em falta."