"Não é suposto a renda dividir lojistas e centro comercial"

Colombo está a negociar com os lojistas possíveis apoios. Proposta da Sonae Sierra sobre rendas suspensas aguarda OK de fundo CBRE Global Investors.
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É um dos maiores centros comerciais do país e esta segunda-feira abriu as grande maioria das lojas no dia em que, pela Grande Lisboa, os shoppings tiveram OK do Governo para abrir portas.

O centro nunca parou, nem durante o Estado de Emergência, mas no início da semana as totalidade das 342 lojas pode começar a receber clientes. Foi um primeiro dia calmo, sem enchentes, nem as aglomerações que levaram o Governo a adiar por duas semanas a aberturas dos centros na região, receando um aumento de casos de infeção do covid-19.

A Sonae Sierra, coproprietária do Colombo através da Sierra Prime, já anunciou um desconto de 50% nas rendas das lojas durante o período em estiveram encerradas (abril, maio e junho) com o restante valor a ser pago em dois anos, com início em 2021. Mas essa medida, conhecida em maio, não abrange ainda o Centro Colombo, bem como o Vasco da Gama. Falta ainda luz verde do coproprietário dos dois shoppings da região de Lisboa, o fundo CBRE Global Investors.

Paulo Gomes, diretor do Centro Colombo, explica como é que o tema das rendas está a ser gerido.

As rendas tem dividido centros comerciais e lojistas. Há quem peça o perdão das rendas durante o período do encerramento. No caso do Colombo o que foi desenhado?

É preciso contextualizar. A primeira medida que tomamos, que é importante, foi a flexibilização dos horários em meados de março. Para nós é importante que um cliente quando entra no centro não tenha lojas fechadas. Por contrato, todos têm de cumprir horários e nós, unilateralmente, tomamos a decisão de flexibilizar o horário, pois os lojistas estavam até a ter dificuldade em mobilizar as suas equipas.

A segunda medida, mais ou menos por essa data, foi a suspensão da remuneração mínima, que ainda está em vigor. Entretanto, passamos por três Estados de Emergência, vamos na segunda semana de situação de Calamidade, e 15 de junho foi o primeiro dia em que o grosso das lojas reabriu ao público. Ainda não sabemos o que cada uma dessas lojas vai vender, ainda não conhecemos a totalidade do problema e, tal como no passado, as medidas são definidas em função do problema, o impacto é diferenciado caso a caso. Em função desse impacto, da realidade de cada lojista, iremos juntamente com ele, chegar a um consenso. Não é suposto a renda dividir lojistas e centro, no passado nunca nos dividiu, sempre foi um ponto de união. Todas as rendas que temos foram acordadas com os lojistas e durante a crise (de 2008-2012 ) chegamos a acordo com eles. O mesmo espírito de colaboração e de diálogo vai prevalecer agora, nem sequer temos qualquer indicador em outro sentido.

A Sonae Sierra propôs no caso da rendas suspensas um desconto de 50% nos valores em dívida e o pagamento do remanescente em dois anos a partir de 2021. No Colombo essa medida foi aplicada ou estão a negociar com os lojistas?

Há diferentes medidas em diferentes centros comerciais e há diferentes realidades, diferentes lojistas e impactos. A análise tem de ser feita caso a caso, devidamente enquadrado. Estamos a falar com os lojistas do Colombo, os contactos já começaram, as negociações estão em curso. Se os resultados que vamos obter aqui forem iguais aos que estamos a obter nos outros centros comerciais, penso que vamos chegar rapidamente aos 80 ou 85% de acordos.

Mas o que está em cima passa pela lógica que acabei de referir ou por outro tipo de medidas?

Temos de perceber primeiro o impacto e como a loja retomou a sua atividade. Pode ser esse tipo de medidas ou podem ser outras. É no contexto da análise, com o lojista, que vamos encontrar as soluções. Nuns casos pode ser esse, noutros podem ser outras soluções.

A APCC anunciou que só este ano os centros estão a apoiar em 305 milhões os lojistas, metade em moratórias de rendas e o restante em descontos. No caso do Colombo que impacto a moratória das rendas teve na vossa atividade?

As medidas que tomamos foram as que já referi, fizemos um esforço durante este período de reduzir os custos, sem comprometer a segurança, a fatura das despesas comuns desceu para metade, estamos a fazer o esforço de suspensão das rendas mínimas. O esforço mais importante que vai decidir muito o que se vai fazer no futuro é o resultado do que está a ver esta segunda-feira: o centro está com uma excelente adesão de visitantes, que estão a adotar comportamentos de enorme segurança. Penso que podemos estar tranquilos em relação ao Colombo numa perspetiva higieno-sanitária, numa perspetiva comercial os indicadores são bons e é por aí que passa a solução.

As perspetivas económicas não são positivas, os níveis de confiança já foram melhores, fala-se de quebras acentuadas de faturação nas lojas que já reabriram. Não corre o risco de ter lojas fechadas daqui a uns tempos?

O Centro Colombo está inserido na realidade económica nacional. O impacto no Centro Colombo começamos a conhece-lo hoje. Se temos um problema a nível nacional dificilmente o Colombo passa à margem disso, assim foi durante a crise financeira, mas acredito que juntamente com os lojistas vamos conseguir mais visitantes e depois boas vendas. É possível que algumas empresas tenham mais dificuldades, mas isso tem a ver com a realidade nacional, até fora do Colombo.

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