"Não tinha informação concreta que pudesse levantar bandeiras de risco sobre fundos Airbus"

Hugo Santos Mendes atesta que só soube formalmente do negócio entre Neeleman e a Airbus em 2022 e garante que "ninguém escondeu nada a ninguém".
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O ex-secretário de Estado das Infraestruturas disse, esta quarta-feira, 14, que apenas teve "conhecimento formal" sobre os fundos da Airbus em 2022, embora já tivesse ouvido falar do assunto pelos sindicatos e pela comunicação social.

"Tive conhecimento das diligências que a administração da TAP, e em específico a ex-CEO e o atual CFO, Gonçalo Pires, começaram por fazer junto da Airbus. Fizeram uma análise da estrutura de custos da empresa e perceberam: "estamos a pagar mais, algo se passa aqui". Contrataram escritórios de advogados em Inglaterra e nós fomos acompanhando. O relatório quando foi terminado foi enviado à tutela em 2022", referiu.

Hugo Mendes, que está esta tarde a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP (CPI), disse, em resposta ao deputado do PCP, Bruno Dias, que até ter conhecimento formal do relatório pedido pela TAP não tinha motivos para desconfiar de algum problema, apesar de o assunto ser comentado.

O comunista Bruno Dias confrontou Hugo Mendes com as declarações do ex-ministro Pedro Marques, que disse ter sabido do negócio entre o acionista privado Neeleman e a fabricante internacional de aviões em 2017. Hugo Mendes atirou para Pedro Nuno Santos mais explicações, garantindo que não tinha mais informações.

"Não podemos atribuir credibilidade a todo o que ouvimos dizer. Eu não tinha informação concreta, específica e rigorosa que pudesse levantar bandeiras de risco. Nós não tínhamos o relatório nem nenhum dado. O CFO ia dando conta do trabalho que iam fazendo com os assessores, eram trabalhos preparatórios para o relatório que quando chega à tutela já tem uma dimensão formal", reiterou, sublinhando que estava com "os olhos no futuro e não em fazer reconstrução do passado" e que o plano de reestruturação da TAP era a sua prioridade.

Hugo Mendes nega ainda que tenha existido algum encobrimento do tema. "Ninguém escondeu nada a ninguém. Em 2022 foram feitas as diligências formais para se perceber o que se passava governo pede uma opinião jurídica que diz que podem estar tipificados os crimes a, b e c e decide enviar o relatório para o Ministério Público", garantiu

O ex-secretário de Estado das Infraestruturas, que apresentou a demissão em conjunto com Pedro Nuno Santos, a 29 de dezembro de 2022, a propósito da polémica indemnização paga a Alexandra Reis, inaugura esta quarta-feira a última semana de audições da CPI. Amanhã será a vez do ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação regressar ao Parlamento, depois de na semana passada ter prestado declaração na Comissão de Economia. Por fim, na sexta-feira, será a vez do ministro das Finanças, Fernando Medina, que encerrará o ciclo das audições presenciais da CPI à TAP.

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