Navigator: assim se treinam os futuros diretores

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Muitas são as empresas que apostam em programas de trainees para criar equipas qualificadas para funções internas. São meses de trabalho e formação com um objetivo final: profissionais aptos para os maiores desafios laborais.

O conceito é relativamente simples de explicar: são programas de formação intensiva, com a duração de alguns meses, na maioria são 12. Os candidatos são jovens recém-formados, acabados de sair de “universidades de referência” e à procura das primeiras experiências profissionais. Do outro lado está a empresa, que quer mão-de-obra fresca pronta a ser ensinada e moldada. Após um criterioso processo de seleção, que envolve assessments, open days, testes e entrevistas, começa o trabalho assente na premissa de job rotation, onde os candidatos têm contacto com diferentes áreas da empresa.

Em 2015, Duarte estava a terminar o mestrado em Engenharia Mecânica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) quando tropeçou num roadshow (evento no qual as empresas se apresentam nas instituições de ensino superior) da Navigator. Tinha várias opções em cima da mesa e a empresa produtora de papel não era uma prioridade inicial. Duarte acabou por tentar a sorte. “Concorri porque considerei que o programa tinha uma forte componente formativa e tinha o objetivo de proporcionar uma série de ferramentas aos futuros trabalhadores da empresa. Achei que valia a pena tentar”, explica ao Dinheiro Vivo.

Três anos depois, com três mudanças de residência entre Portugal e Londres pelo meio, e após passar por quatro departamentos da empresa, Duarte pertence à coordenação central de manutenção da Navigator. Com apenas 26 anos tem segurança suficiente para traçar um futuro próximo. “Pretendo ascender a um cargo de direção [na Navigator]. É o meu objetivo, é para isso que eu trabalho”, admite com voz firme.

O “The Naviagtor Company” é um programa de recrutamento e desenvolvimento profissional, criado em 2015, com base na necessidade de aquisição de perfis mais jovens e heterogéneos na empresa. É um dos programas do "Employer Branding", um projeto da Navigator, assente em três formas de recrutamento: entry level (vagas de recrutamento ao longo do ano), trainees e estagiários. Neste último, a empresa já recrutou 50 estagiários profissionais desde fevereiro e até ao final do ano deverá recrutar mais 30.

"The Navigator Company", programa de trainees

“O trainee não olha só para a área onde está inserido mas tem uma perspetiva muito mais integrada das outras áreas. Estas pessoas vão efetuar quatro projetos em quatro áreas diferentes. É um programa acelerado de desenvolvimento on the job.”, explica Paula Castelão, talent manager da Navigator.

O objetivo é que estes profissionais em início de carreira adquiram ferramentas que lhes permitam evoluir de forma mais rápida para que assumam funções técnicas e de liderança intermédia. Durante o período estipulado, têm contacto com vários departamentos sempre acompanhados por coordenadores que desenham um programa personalizado para cada um.

“Por exemplo, alguém que venha a integrar a área industrial terá de passar pelo departamento comercial, pelo marketing e internacional. Quero integrar pessoas que saibam quem são os nossos clientes, quem são os nossos colegas internacionais, que conheçam as vendas e a comunicação, esclarece Paula.

Contrariamente à maioria dos programas de trainees, o “The Navigator Company” tem a duração de 20 meses. A primeira edição, em 2015, contou com 14 trainees e 400 candidatos. Na segunda, que teve início em 2017, concorreram 1200 jovens recém-formados dos quais foram escolhidos 10.

É o caso de Diana. Com 25 anos feitos há pouco, já andava de olho na empresa há vários meses. Natural de Setúbal, onde a Navigator tem uma das suas fábricas, o grupo líder em exportação de papel não era novidade para a estudante de Gestão. Numa feira de emprego que decorreu no ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa), instituição onde estava a terminar o mestrado, encontrou a Navigator. Já sabia para o que ia. “Fui direitinha à banca da Navigator, cheguei lá e apresentei-me. Perguntaram-me se já conhecia o programa (de trainees) e disse que sim, só queria saber quando abriam as vagas”.

A experiência internacional foi o que a seduziu, admite. Há cinco meses na empresa, Diana diz-se surpreendida pelos desafios que encontra diariamente. “Tinha 24 anos quando entrei, pouca experiência de trabalho e pensei que isto ia ser um pouco assustador ao início. Tinha medo que as pessoas não me dessem crédito ou não ouvissem a minha opinião”, recorda.

Quanto ao perfil dos candidatos para o “The Navigator Company”, Paula Castelão explica: “Procuramos pessoas que venham de universidades de referência, que tenham mestrado e que tenham capacidade de pensar, iniciativa, flexibilidade e muito espírito de cooperação”. A empresa está presente em várias instituições de ensino superior pelo país, de forma a estar mais próxima de futuros colaboradores. “A universidade é importante mas não chega, há os outros fatores que precisam de complementar a formação”, alerta.

20 meses, 4 departamentos e 2 países

Diana, apesar de ter abraçado este desafio há pouco tempo não esconde o entusiasmo que lhe tolda o discurso. “Aqui não há rotinas, é sempre tudo novo e isso cria um ambiente fresco naquilo que desenvolvo. Não chego ao computador todos os dias e fico a fazer a mesma coisa até às 18 horas”. Duarte, já distante do período de estágio, assume que fez a escolha certa, mas nem tudo foi fácil.

“A questão pessoal foi o maior desafio e o facto de em dois anos ter de mudar três vezes de residência, implica uma capacidade de adaptação grande. Estive em Vila Velha de Ródão (Castelo Branco) e foi um desafio enorme porque sempre estive habituado ao ambiente citadino”, explica. Apesar dos vários meses com a mochila às costas, Duarte consegue agora encaixar todas as peças. “Acabou por me trazer vários frutos, profissionalmente e pessoalmente”, atesta.

Cada trainee recebe, na Navigator, 1300 euros no primeiro ano e 1400 euros no segundo. Todas as despesas de deslocação e alojamento, no país e fora dele, são suportadas pela empresa, o que representa um investimento elevado, que Paula Castelão não consegue quantificar. Este é um dos motivos que alicerça o rigor da seleção. Todos os candidatos são contratados após o programa.

“No inicio, em 2015, as chefias tiveram algum receio de todo o investimento em termos de tempo que tinha de ser feito no acompanhamento destes candidatos. Um ano depois, a perceção era diferente e percebemos a mais-valia que estas pessoas trouxeram às diferentes áreas”, conclui Paula. Por isso mesmo, em 2019 irá iniciar-se mais um processo de recrutamento para o "The Navigator Company".

A trainee que integra agora a direção de abastecimento de madeira já conta os dias para voar até aos Estados Unidos, onde ficará três meses no departamento de vendas internacionais. Diana diz que não podia estar mais realizada e começa a desenhar o futuro despida de receios: “Ambiciono crescer e chegar a diretora, porque não?”.

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