Só em Porsches, estão neste momento afundados em conjunto com o navio-carga Grande America, no Atlântico, mais de 6 milhões de euros. No total eram 37 Porsches novos, incluindo quatro modelos do 911 GT2 RS (que valem 368.126 euros cada), mas há ainda Audi e muitos outros veículo num total de dois mil.
O navio mercante italiano (da Grimaldi Lines) encalhou na passada terça-feira, no Oceano Atlântico, a cerca de 240 quilómetros da costa da França - a sudoeste de Brest - e acabou por afundar a uma profundidade de 15.000 pés. Fazia o percurso de Hamburgo para Casablanca e, depois, iria seguir para o Brasil, onde clientes ávidos esperavam que chegassem os seus automóveis, alguns deles verdadeiros superdesportivos de sonho.
Todos os 27 tripulantes a bordo foram resgatados a 11 de março pela Marinha britânica, a que se seguiu a limpeza do derrame de cerca de 2,2 toneladas de combustível, que se verificou como resultado do naufrágio. "Lamentamos informar que, devido a um incêndio, um navio do grupo Grimaldi, que estava a transportar o seu veículo, afundou a 12 de março de 2019", escreveu a empresa aos seus clientes.
Os Porsches tinham saído da linha de montagem poucos dias antes e a empresa alemã já iniciou a produção de unidades para os substituir devido ao naufrágio. "Como já deve saber, a Porsche concluiu a produção do 911 GT2 RS em fevereiro de 2019 e, em circunstâncias normais, não seria possível produzir outra unidade, mas devido à natureza da situação e considerando que o senhor é um cliente leal e valioso para a nossa marca, a Porsche vai retomar a produção do GT2 RS na Alemanha em abril para lhe entregar o seu veículo em junho", diz a empresa em comunicado.
Além do potente GT2 RS, também existiam unidades dos modelos 718 Cayman, Boxter e Cayenne. Do conjunto de veículos, ainda estavam vários modelos da Audi, como o A3, A5, RS4, RS5 e Q7, na sua maioria veículos bem acima dos 50 mil euros - é bem provável que o valor de mercado dos veículos perdidos seja superior aos 150 milhões de euros.
Os marinheiros do HMS Argyll demoraram apenas oito horas para salvar todas as pessoas a bordo do navio mercante de 28.000 toneladas no Golfo da Biscaia, depois da carga do navio de contentores repletos de carros ter pegado fogo. A tripulação a bordo do navio tentou combater as chamas, mas foi forçada a abandoná-lo, subindo para botes salva-vidas apesar das ondas de 5 a 6 metros no mar à noite.
O capitão Dave Tetchner, do HMS Argyll, explicou o que se passou à BBC: "foi muito complicado para os tripulantes, tiveram que combater um incêndio num mar terrível". Tetchner admite que é raro ver-se navios destes porta-contentores em chamas, "foi uma visão aterradora". Os 27 resgatados foram levados para o porto francês de Brest e, embora não tivessem ferimentos graves, alguns precisaram de tratamento hospitalar.