Bynd tem fundo de 30 milhões para aplicar em startups tecnológicas

Capital de risco ibérica quer investir em negócios ligados à IA, cibersegurança e clima. Todos os anos analisa cerca de três mil ideias e acaba por selecionar pouco mais de dez.
O último fundo de investimento lançado pela Bynd atraiu capital de cerca de 50 investidores.
O último fundo de investimento lançado pela Bynd atraiu capital de cerca de 50 investidores.Foto: D.R.
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A Bynd VC, capital de risco ibérica direcionada para startups em fases pré-seed e seed, criou um fundo de 30 milhões de euros para investir em novos negócios com forte componente tecnológica e potencial de escalabilidade. Neste momento, está em conversações avançadas com mais de uma dezena de empresas, diz Tomás Penaguião, partner da Bynd. A capital de risco procura "equipas ambiciosas, a desenvolver produtos inovadores e com capacidade de transformar estruturalmente os seus mercados".

É um processo longo e exigente. Como explica o responsável, "todos os anos analisamos cerca de 3000 startups, reunimos com, aproximadamente, 1000 e investimos, em média, em 10 a 12 empresas". A seleção tem por base a qualidade da equipa fundadora, a diferenciação tecnológica, a dimensão e dinâmica do mercado, os sinais de validação e o racional de investimento. Tomás Penaguião frisa que o fator mais relevante é a qualidade dos fundadores. "Procuramos equipas que sejam complementares, com capacidade de executar, de pensar estrategicamente e de atrair talento", sublinha. Ambição e resiliência são também aspetos valorizados.

Para entrar no radar da Bynd, as startups têm de operar no espaço ibérico. É esse o território alvo da capital de risco, que está especialmente interessada em novos negócios ligados à Inteligência Artificial, software B2B verticalizado, cibersegurança, clima e tecnologias aplicadas à indústria. Segundo explica Tomás Penaguião, "mais do que tendências, interessam-nos setores onde a tecnologia esteja a redefinir cadeias de valor e até a criar novas categorias de mercado".

Este é o terceiro fundo gerido pela Bynd. Já conta dois anos e tem atualmente 17 empresas em portefólio, das quais cerca de um terço tem ligação a Portugal e os restantes dois terços a Espanha. A maioria destas startups tem a Inteligência Artificial como tecnologia core, aplicada a setores como o financeiro, jurídico, comercial, marketing e indústria. O fundo tem ainda exposição a áreas como a sustentabilidade, publicidade e espaço, sempre com a tecnologia em destaque. O objetivo é investir entre 30 a 40 startups ao longo do ciclo do fundo, diz o responsável. O Fundo III atraiu capital de cerca de 50 investidores, entre os quais o espanhol Fond-ICO, o grupo industrial português Nors e a Caixa Capital, além de sociedades familiares e outras entidades privadas.

Tomás Penaguião, partner da Bynd, adianta que a capital de risco opera no mercado desde 2010 e soma mais de 70 investimentos.
Tomás Penaguião, partner da Bynd, adianta que a capital de risco opera no mercado desde 2010 e soma mais de 70 investimentos.Foto: D.R.


A Bynd alocou mais capital a startups do país vizinho, mas as tecnológicas portuguesas apresentam potencial, defende Tomás Penaguião. Portugal evoluiu muito na última década e tem, hoje, um ecossistema empreendedor mais maduro e internacional, considera. Há "mais densidade de talento, mais experiência dos fundadores e operadores e uma geração de empreendedores com ambição global". Contudo, o país "continua a enfrentar desafios ao nível da escala do mercado, da disponibilidade de capital e da capacidade de reter talento". Em suma, salienta, existe potencial, mas é necessário transformar essa capacidade "em empresas globais com maior velocidade e mais ambição".

A Bynd opera no mercado desde 2010, somando mais de 70 investimentos em startups tecnológicas na Península Ibérica. No primeiro fundo, investiu em 16 empresas, das quais dez com ligação a Portugal e seis a Espanha, e, até ao momento, soma uma dezena de saídas. Segundo Tomás Penaguião, com o exit parcial de uma das participadas, "conseguimos assegurar o retorno integral do fundo e mantemos a ambição de atingir um múltiplo de três vezes o capital investido". Entre as 'libertadas', o responsável destaca a Doppio Games, a biofarmacêutica Lymphact, a Woffu (especializada em  software de Recursos Humanos) e a Probely (tecnológica que desenvolve soluções para testes automatizados de segurança de aplicações web).

Com o segundo fundo, que está agora em fase de exit (venda das participadas), a Bynd realizou 23 investimentos, dos quais cerca de 30% com ligação a Portugal e 70% a Espanha. Para Tomás Penaguião, há um "potencial crescente na Ibéria para gerar empresas globais desde fases muito iniciais", que podem assegurar "liquidez e retornos" aos investidores.

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