Os concertos de Pedro Abrunhosa ao longo do ano passado, em Portugal, geraram um impacto económico direto da ordem dos 25 milhões de euros, estima um estudo do IPAM - Marketing Business School do Porto.
A análise revela que os concertos ao ar livre, que juntaram mais de 435 mil espectadores, originaram um impacto económico estimado de 20 milhões de euros, com um gasto médio de 43 euros por espectador.
Já os espetáculos em recinto fechado, que somaram cerca de 65 mil espectadores, geraram cinco milhões de euros, o que traduz um consumo médio por pessoa de 55 euros.
O maior impacto económico deriva dos "espectadores não residentes que representam mais de metade do público e concentram os níveis de despesa mais elevados", conclui o estudo do IPAM, realizado com base em 933 inquéritos válidos.
Segundo revela, a estimativa da despesa média do espectador não residente é de cerca de 24,1 euros em deslocação, 22,5 euros em alimentação e 62,6 euros por noite em alojamento, entre os que pernoitam. Neste caso, a estadia média é de 2,38 noites, o que indica que o impacto do evento se prolonga para além do dia do concerto, sublinha o relatório.
O estudo identifica ainda despesas complementares em compras e atividades culturais e de lazer, com valores médios estimados de 34,3 e 27,9 euros, respetivamente. Há, no entanto, 56% dos visitantes que não realizam atividades adicionais ao concerto.
Entre o público residente na cidade onde se realizou um concerto, 75% dos inquiridos deslocou-se de carro para assistir aos espetáculos e 16% a pé. Ao nível das despesas, a alimentação concentrou o maior gasto, com uma despesa média estimada de 11,7 euros por pessoa, e de 6,9 euros em deslocações. Metade dos residentes indicou gastar até cinco euros em deslocação e também metade afirmou não ter feito qualquer despesa em alimentação fora de casa.
O estudo “Estimativa do Impacto Económico dos Concertos Pedro Abrunhosa em Portugal”, foi desenvolvido por Ana Ramires e Isabel Machado, investigadoras do IPAM, e permitiu concluir que a música ao vivo tem potencial "para atrair visitantes, estimular o consumo local e gerar impacto económico em áreas como a restauração, o alojamento, o comércio, a mobilidade e o lazer".
Segundo as investigadoras do IPAM, que sublinham que o estudo é inédito na indústria da música nacional, “os concertos podem funcionar como ponto de partida para experiências mais completas e integradas, capazes de reforçar a atratividade das cidades e criar novas dinâmicas económicas à volta da cultura”.