Elétrica da Sonae investe 10 milhões em Plug&Charge nas lojas Continente

Elergone Energia faturou 114 milhões no ano passado, com a Sonae MC a representar 50% das vendas. Soma mais 700 clientes empresariais e prevê crescer à boleia de soluções energéticas eficientes.
As lojas Continente estão a reforçar a sua oferta de carregamento de carros elétricos.
As lojas Continente estão a reforçar a sua oferta de carregamento de carros elétricos.Foto: Pedro Correia/Global Media
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A Elergone Energia, detida pela Sonae MC, vai investir este ano mais de 10 milhões de euros no reforço da oferta Plug&Charge nas lojas Continente, avança Carlos Sampaio, Chief Operating Officer (COO) da elétrica. Como adianta, a Elergone Energia é responsável pela instalação de mais de 750 equipamentos nos espaços da insígnia do grupo Sonae, sendo que este ano o objetivo é chegar aos mil. Para já, só está a instalar esta tecnologia de carregamento de carros elétricos nas lojas Continente, mas admite estar atenta a novos clientes.

"Consideramos que a gestão dos edifícios só faz sentido quando encarada como um ecossistema completo, na qual produção, consumo, armazenamento e mobilidade elétrica funcionam de forma articulada", diz Carlos Sampaio. Por isso, é natural que "a variável da mobilidade assuma um papel mais preponderante e ao qual estamos atentos".

A atividade da Elergone está centrada na comercialização de energia para o segmento empresarial, numa ótica que alinha consumo, produção e preço. Para Carlos Sampaio, a sustentabilidade energética assenta em três eixos complementares: a eficiência no consumo, garantindo que o cliente consome apenas o indispensável; a produção em regime de autoconsumo, preferencialmente a partir de fontes renováveis; e a contratação de energia em condições competitivas.

Como frisa o responsável, a Elergone faz uma avaliação de todos os intervenientes que podem integrar o balanço energético do edifício: consumo, unidade de produção para autoconsumo, mobilidade elétrica e sistemas de armazenamento. "Gerimos todos estes elementos de forma integrada, alinhando o perfil energético do cliente com a dinâmica dos preços de mercado, para maximizar a otimização financeira e ambiental", frisa.

Na sua opinião, é nesta articulação de consumo eficiente, produção própria, mobilidade elétrica, armazenamento de energia e fornecimento competitivo que a elétrica se diferencia da concorrência. "Trabalhamos o ecossistema energético do cliente como um todo, o que nos permite entregar soluções mais completas, mais eficientes e com maior impacto na operação", acrescenta.

A empresa, que assume a energia como um "produto profundamente tecnológico", tem apostado na inovação. Para garantir eficiência na previsão dos desvios de consumo, desenvolveu, em parceria com o INESC TEC, uma solução baseada em inteligência artificial e machine learning. O modelo "analisa um conjunto alargado de variáveis — como o dia da semana, a temperatura exterior, a tipologia do ponto de consumo ou a época do ano — e gera previsões de consumo para o dia seguinte com elevada precisão", explica Carlos Sampaio. É uma mais valia num setor em que o negócio assenta no volume e não na margem, sublinha. "Ao reduzir desvios, diminuímos custos associados ao balanço energético e aumentamos a eficiência da operação". Em simultâneo, a elétrica aposta em modelos de otimização e soluções que articulam produção, consumo, armazenamento e interação com a rede.

No ano passado, a Elergone Energia registou um volume de vendas de 114 milhões de euros, um crescimento de 7% em relação a 2024. A Sonae MC representou cerca de 50% da faturação. Segundo Carlos Sampaio, a Elergone Energia é responsável pelo abastecimento de mais de 700 lojas Continente e de todas as outras insígnias que integram a MC, como a Wells, a Note! ou a Bagga. A elétrica presta também serviços a mais de 700 empresas de setores tão díspares como agropecuária, têxtil, indústria, entre outros.

As previsões para 2026 apontam para um volume de vendas de 118 milhões de euros. Esta estimativa é explicada pelo esperado "crescimento orgânico da empresa, sustentado pela expansão natural da nossa base de clientes e pela maturação das soluções já implementadas" e pelo "desenvolvimento de novas avenidas de negócio, em particular os serviços de flexibilidade de consumo".

A Elergone Energia tem, para já, a operação concentrada em Portugal. "Temos ainda bastante caminho a percorrer no mercado nacional, onde existe ampla margem de crescimento e consolidação", sublinha o responsável. No futuro, admite, "à medida que o nosso modelo se fortaleça e demonstre o seu valor em diferentes contextos, a expansão para outros mercados será um passo natural".

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