Sonae: Marca própria vale um terço das vendas do Continente

No ano passado, a inflação no retalho alimentar foi da ordem dos 4%. Um contexto que conduziu os portugueses a optar por produtos mais económicos. Guerra no Médio Oriente poderá agravar tendência.
Cláudia Azevedo sente-se "muito feliz" como CEO da Sonae.
Cláudia Azevedo sente-se "muito feliz" como CEO da Sonae.D.R.
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O Continente, marca do grupo Sonae para o ramo alimentar, garante um terço das vendas (33%) com os produtos de marca própria, revelou esta quinta-feira, 19 de março, João Dolores, CFO do grupo, na conferência de imprensa que se seguiu à divulgação dos resultados de 2025.

Este valor, que serve como indicador do poder de compra dos consumidores portugueses, teve um crescimento significativo nos últimos anos. Em resposta ao DN/DV, João Dolores afirmou que no início de 2022 (quando deflagrou a guerra na Ucrânia), a marca própria pesava "vinte e muito por cento e hoje pesa um terço".

Apesar de não ser possível avaliar em concreto o aumento das vendas da marca própria neste período (os números divulgados não são rigorosos), é possível verificar uma tendência dos consumidores por estes produtos mais económicos. Ou seja, os portugueses estão a fazer mais contas à vida.

Na ocasião, Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, sublinhou que a marca própria Continente "é muito boa". Como explicou, "a nossa proposta de valor é oferecer o melhor ao cliente".

No ano passado, "a inflação no retalho alimentar situou-se nos 4%", revelou também João Dolores. Em 2025, a taxa de variação média do Índice de Preços no Consumidor fixou-se nos 2,3%.

A guerra no Médio Oriente poderá elevar ainda mais os preços dos alimentos. Hoje, na conferência, a Sonae foi muito cautelosa. O CFO fez questão de sublinhar que "a inflação está controlada. No arranque do ano, estava nos 3% no retalho alimentar". Neste momento, "os clientes ainda não estão a sentir" os efeitos da guerra, ou seja, o aumento do preço do petróleo.

No entanto, admitiu, se esta situação persistir no tempo, terá consequências na cadeia de fornecedores. Para já, "não conseguimos antecipar" os efeitos, disse. O que poderá suceder, como já verificado quando a inflação escalou, é "alguma mudança de padrão de consumo", com "aumento da marca própria".

Para Cláudia Azevedo, face a uma situação de subida generalizada dos preços, "todos os players da cadeia de valor têm de fazer o seu papel e o Estado também". Recorde-se que na última crise inflacionista, o governo de António Costa implementou o IVA zero a um cabaz de 46 produtos essenciais, medida que vigorou entre 18 de abril de 2023 e 4 de janeiro de 2024. “Gostamos muito do IVA zero”, disse Cláudia Azevedo.

O Continente, que surgiu há 40 anos, registou um volume de vendas de 7,1 mil milhões de euros no ano passado, um crescimento de 10% face a 2024. Na comparação like-for-like (ou seja comparando o mesmo número de lojas nos dois exercícios), o crescimento foi de 8,3%.

Esta performance do segmento alimentar foi "principalmente" impulsionada por volumes, num contexto em que a inflação no retalho alimentar se situou nos 4%. Soma-se ainda a expansão da rede, com a abertura de 13 supermercados, seguindo uma estratégia de proximidade ao cliente.

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