Imobiliário nacional entra no radar das fortunas espanholas

Norte captou metade dos 2800 milhões de euros de investimento aplicado no ano passado em imobiliário comercial no país. Espanhóis foram a segunda nacionalidade mais ativa.
Dos cinco principais negócios concretizados em 2025  em Portugal, quatro foram  na região Norte.
Dos cinco principais negócios concretizados em 2025 em Portugal, quatro foram na região Norte.Foto: Reinaldo Rodrigues
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Os family offices (anglicismo para empresas que gerem investimentos e património de famílias ricas) de Espanha descobriram o potencial do imobiliário comercial português. O interesse é recente. “Há cerca de ano e meio que se começou a sentir um apetite muito grande no país e, em particular, na região Norte” dos gestores de fortunas espanholas, revela Cristina Almeida, diretora do escritório do Porto da JLL.

Escusando-se no sigilo profissional, Cristina Almeida não revela nomes de entidades, mas sublinha que os segmentos mais procurados são hotelaria e retalho. Segundo a responsável, estes investidores veem “capacidade de valorização e ativos de boa qualidade” no país. Em Espanha, o imobiliário “está muito maduro e aquecido”, justifica.

No Norte, os espanhóis são a segunda nacionalidade que mais investe em imobiliário. O top 3 é liderado pela França e fecha com os EUA. A dinâmica da região é comprovada pelo valor do investimento. No ano passado, metade dos 2800 milhões de euros investidos em imobiliário comercial português (escritórios, hotéis, lojas, e outros ativos não residenciais) tiveram como destino o Norte. Desse valor, 67% chegou de fora, 29% foi aplicado por nacionais e 4% teve origem desconhecida. Dos cinco principais negócios concretizados em 2025, quatro foram na região, sublinha.

“Os promotores estão desesperados com os custos de construção”, diz Cristina Almeida, diretora do escritório do Porto da JLL.
“Os promotores estão desesperados com os custos de construção”, diz Cristina Almeida, diretora do escritório do Porto da JLL.Foto: D.R.

No primeiro trimestre deste ano, esse movimento no território acima do Mondego consolidou-se. Segundo Cristina Almeida, o país captou 930 milhões de euros, um crescimento homólogo de 37% e um aumento em cadeia de 11%. Mais uma vez, 50% foram aplicados na região Norte. Desta vez, os investidores nacionais representaram 71% do capital aplicado nesse período, os internacionais responderam por 25% e os remanescentes 4% chegaram de origem desconhecida.

Para Cristina Almeida, a região ainda tem muito espaço para crescer. Contudo, enfrenta desafios que vão da falta de oferta nos vários segmentos imobiliários aos preços de construção. “Não há mãos a medir na procura de terrenos”, frisa, mas “os promotores estão desesperados com os custos de construção”.

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