

A viagem inaugural do Explora III, cruzeiro de luxo do grupo MSC, vai ficar marcada pelas passagens em Portimão, Lisboa e Leixões. O novo navio da Explora Journeys está por estes dias a navegar na costa ocidental portuguesa, depois de partir de Barcelona e cruzar as águas de Palma de Maiorca, Puerto Banús, Tânger, Cádis e Portimão. As três paragens em terras lusas foram uma escolha “estratégica”, que “reflete a crescente relevância de Portugal no segmento de cruzeiros marítimos de luxo”, justifica Eduardo Cabrita, diretor geral da MSC no país.
Segundo afirma, Lisboa “consolidou-se como um dos principais portos de escala na Europa Ocidental”, Leixões “desempenha um papel fundamental como porta de entrada para o Porto e a região do Douro” e Portimão “acrescenta uma dimensão mediterrânica”. Eduardo Cabrita sublinha que Portugal “está a tornar-se cada vez mais um destino de eleição para viajantes de luxo e de alto nível”. Na sua opinião, estes turistas “procuram autenticidade, segurança, gastronomia de qualidade, vinhos excelentes, património e experiências exclusivas – características que Portugal oferece consistentemente”.
O Explora III integra o projeto do grupo MSC de lançar ao mar seis navios cruzeiros de luxo Explora Journeys até 2028, num investimento global de 3,5 mil milhões de euros. Desde 3 de agosto – dia em o Explora III partiu de Barcelona -, que a MSC conta com três cruzeiros da marca em operação. De acordo com Eduardo Cabrita, “o plano de expansão da frota prossegue com a entrada ao serviço do Explora IV e do Explora V em 2027, culminando com o Explora VI em 2028”. O grupo MSC decidiu entrar neste segmento com uma aposta em navios “de menor dimensão e mais intimistas, concebidos para aceder a portos exclusivos e destinos menos convencionais”, e numa oferta de “experiências autênticas, diferenciadoras e profundamente personalizadas”, revela. O primeiro Explora fez-se ao mar em outubro de 2023.
À semelhança dos outros dois navios da frota (mas não totalmente igual), o Explora III foi concebido para “ser um destino em si mesmo”. Eduardo Cabrita destaca o “design sofisticado, gastronomia de excelência, bem-estar inspirado no oceano e uma oferta comercial cuidadosamente selecionada”. O cruzeiro tem capacidade para 922 hóspedes, num total de 463 suítes. O gestor salienta que oferece “um dos maiores rácios de espaço público por passageiro da indústria, com 19,5 metros quadrados por viajante”. A bordo, encontram-se quatro piscinas exteriores aquecidas, cinco banheiras de hidromassagem, 60 cabanas privadas e várias áreas de descanso.
Dentro da filosofia de “um destino em si mesmo”, o navio cruzeiro dispõe de diferentes conceitos gastronómicos, desde refeições sofisticadas, mas descontraídas, junto à piscina, a experiências intimistas e multissensoriais com demonstrações ao vivo, sem faltar uma atenção aos apreciadores de vinho, que têm ao dispor colheitas raras e variedades autóctones, descreve o responsável. O Ocean Wellness – The Spa e uma área de fitness, com estúdios dedicados ao Pilates e espaços exteriores para a prática de padel, pickleball, basquetebol e corrida, integram a oferta de bem estar.
O navio é o primeiro desta frota preparado para operar com gás natural liquefeito (GNL). É uma aposta do grupo numa maior sustentabilidade da operação. Segundo Eduardo Cabrita, o Explora III foi concebido para operar com gás natural liquefeito, mas oferece um caminho para alternativas renováveis, como gás natural liquefeito bio e gás natural liquefeito sintético, à medida que estas soluções se tornam disponíveis. O navio está equipado com capacidade de ligação à rede elétrica em terra, o que possibilita desligar os motores quando atracado, explica.
No que toca a vendas no mercado português, Eduardo Cabrita não revela dados. Diz apenas que “os portugueses têm vindo a conhecer cada vez melhor a Explora Journeys, muito graças ao reforço da nossa estrutura em Portugal, com a integração de um diretor de vendas dedicado ao mercado nacional, e ao trabalho contínuo de promoção da marca”. Certo é que uma viagem neste navio exige um orçamento elevado. Num itinerário de sete noites, o valor médio situa-se entre os 3500 e os 4500 euros por pessoa, podendo variar em função do destino, da época do ano e da categoria de suíte selecionada.
O negócio dos navios sob insígnia MSC, que integra uma frota de mais de 20 cruzeiros marítimos, apresenta na divisão portuguesa números em crescimento, diz Eduardo Cabrita, sem especificar. “Estamos confiantes e encaramos os próximos meses com grande expetativa, esperando encerrar o ano com um desempenho positivo”, afirma apenas. A nível global (MSC+Explora), os dados previsionais da atividade para este exercício também não foram divulgados. A MSC, a terceira maior companhia de cruzeiros do mundo e líder de mercado na Europa, espera “concluir o ano com um balanço global positivo”.
Refira-se que a guerra no Médio Oriente obrigou o grupo a ajustar itinerários. Os navios da MSC Cruzeiros e da Explora Journeys foram transferidos, respetivamente, para as Antilhas e Mediterrâneo Ocidental. “Esta situação teve um impacto pontual nas reservas, sobretudo quando o MSC Euribia teve de cancelar algumas partidas devido a ter ficado retido no Estreito de Ormuz”, explica Eduardo Cabrita. Segundo adianta, o grupo deu uma resposta rápida, com a redefinição dos itinerários e uma comunicação transparente com os clientes e parceiros.