Unicâmbio regista crescimento de 30% nas vendas à boleia da valorização do ouro

Faturação da empresa portuguesa especializada em câmbio ultrapassou os 30 milhões de euros, com o negócio do ouro usado a valer 20%.
Portugueses vendem sobretudo anéis, fios, pulseiras, medalhas e brincos.
Portugueses vendem sobretudo anéis, fios, pulseiras, medalhas e brincos.Pedro Correia/Global Imagens
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A valorização do ouro está a potenciar a venda de peças usadas deste metal precioso em Portugal. À boleia deste movimento, a Unicâmbio registou um crescimento superior a 30% com o negócio de compra de ouro usado em 2025 quando comparado com o ano anterior, avança Adriana Jerónimo, administradora da empresa.

"Este crescimento reflete uma maior predisposição dos clientes para vender peças de ouro que já não utilizam, aproveitando um contexto de preços historicamente elevados", justifica a responsável.

Segundo revela, a Unicâmbio ultrapassou os 30 milhões de euros de faturação no ano passado, com a área do negócio da compra de ouro usado a valer 20%.

A empresa arrancou com este serviço em 2020 (ano marcado pela pandemia da covid-19), quando perspectivou que existia "uma oportunidade para responder às necessidades dos clientes numa altura particularmente desafiante para muitas famílias", diz Adriana Jerónimo.

Com 84 espaços físicos no país, quis aproveitar esta rede para "disponibilizar um serviço seguro, transparente e acessível" e, dessa forma, apoiar os clientes a "transformar bens em liquidez imediata".

Segundo Adriana Jerónimo, os clientes da Unicâmbio têm "diferentes idades e contextos" e estão dispostos a vender "sobretudo peças pessoais ou familiares".

São "anéis, fios, pulseiras, medalhas e brincos, muitas vezes artigos que já não são utilizados ou que se encontram danificados", diz. Há também peças que resultam de heranças familiares. A empresa compra ainda moedas e barras de ouro.

O valor pago depende da cotação diária do ouro, da pureza, do peso e das características específicas das peças.

Adriana Jerónimo realça que "a cotação internacional do ouro funciona como referência para o ouro fino e para transações de matéria-prima nos mercados internacionais". No ouro usado, a avaliação depende também da pureza da peça, peso, estado de conservação, custos associados ao tratamento e valorização, e ao próprio mercado de ouro usado.

A larga maioria do ouro comprado pela Unicâmbio segue para fundição. Há ainda assim peças cujo "desenho, estado de conservação, marca, antiguidade ou carácter mais intemporal, podem justificar uma análise diferente", diz a gestora. Nesses casos, é ponderado outro encaminhamento.

Para este ano, as previsões de faturação da empresa são cautelosas. Como afirma Adriana Jerónimo, a compra de ouro usado apresenta potencial de crescimento, mas o negócio "core dos câmbios está mais exposto à conjuntura internacional, à dinâmica das viagens e ao consumo" e, por isso, "numa perspectiva prudente, estimamos uma faturação global próxima da registada em 2025".

A Unicâmbio atua em várias áreas de negócio, desde câmbios, transferências internacionais, crédito pessoal a soluções de pagamento. Com mais de três décadas de operação, emprega atualmente cerca de 340 colaboradores.

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