A Nestlé arrancou no início deste ano com um novo investimento na fábrica de Avanca, distrito de Aveiro, unidade especializada na produção de cereais, sob marcas como a icónica Cerelac, que está a comemorar 85 anos de existência, ou a também muito reconhecida Chocapic. O grupo de origem suíça, o maior do setor alimentar do mundo, decidiu aplicar 23 milhões de euros com vista à modernização da área produtiva de bebidas à base de cereais.
Segundo Rodrigo Bernardino, diretor da fábrica de Avanca, o projeto visa melhorar as instalações e o processo produtivo de bebidas como Tofina, Bolero ou Pensal, sendo que estará operacional em 2023. Esta área passará a dispor de tecnologia de última geração, que permitirá um incremento na capacidade e, consequentemente, na resposta aos mercados interno e de exportação. O responsável adiantou que, já entre 2017 e 2021, o grupo aplicou em Avanca 43 milhões de euros. A maior fatia - mais de 11 milhões - destinou-se à criação de uma linha de snacks saudáveis para bebés. Como sublinhou, o grupo tem uma política de "constante investimento".
Na senda de melhoramentos produtivos e de aposta na inovação, a Nestlé tem vindo a alargar a gama da Cerelac, que hoje, passados 85 anos do seu lançamento, se estende às farinhas lácteas com 40% menos de açúcares do que o produto original, às que não têm qualquer açúcar adicionado, à linha Seleção da Natureza, onde a farinha de trigo foi substituída por aveia, centeio e quinoa, aos snacks de cereais com frutos ou aos leites. Tudo isto sem abandonar a receita tradicional, que tanto encantou gerações e gerações de portugueses.
Na fábrica de Avanca, todos os anos são produzidas cerca de 4500 toneladas de Cerelac, a grande maioria absorvida pelo mercado interno. Ainda assim, a unidade exporta para 13 geografias, essencialmente localizadas no espaço europeu, das quais se destacam os países nórdicos, com especial relevância para a Finlândia.
No ano passado, a marca Cerelac representou 20 milhões de euros no volume de negócios da Nestlé Portugal, que atingiu os 565 milhões. Segundo o diretor-geral da companhia no país, Paolo Fagnoni, as vendas da Cerelac registaram, de 2016 a 2020, um crescimento de 3% ao ano. De referir, a título de curiosidade, que em média são consumidas 300 mil porções de Cerelac por dia no país.
Trigo nacional
A fábrica de Avanca que, segundo Paolo Fagnoni, é "considerada uma das joias da companhia", responde atualmente por uma produção de 41 mil toneladas, 53% para exportação, e tem o objetivo de atingir as 42,5 mil toneladas no próximo ano. A sua estratégia assenta num conjunto de parcerias ao longo da cadeia de valor. Uma das mais relevantes é a que está estabelecida com 68 produtores de cereais do Alentejo. Estes agricultores trabalham de forma estreita com a Nestlé na produção de trigo para a marca Cerelac, cultivando o cereal em mais de 3800 hectares.
A ligação à agricultura nacional conduziu à presença, nesta semana, da ministra da tutela, Maria do Céu Antunes, na cerimónia que assinalou os 85 anos da marca em Avanca. Um percurso já longo, de memórias coletivas, que não passou ao lado da história familiar da governante. Como revelou Maria do Céu Antunes, uma das suas filhas, hoje uma médica de 25 anos, foi uma Bebé Nestlé e ainda agora "continua a adorar Cerelac". E também o pai da ministra não dispensa no seu dia-a-dia a cevada Pensal.
Curiosidades à parte, Maria do Céu Antunes sublinhou o papel de criação de valor local da Nestlé, não só em Avanca, mas no país. O grupo mantém "as cadeias de valor das suas marcas em território nacional" e aposta "na agricultura nacional, procurando trazer os mais jovens para este setor", disse, numa referência ao projeto Agripreneurship, que está a ser desenvolvido pela Nestlé em vários mercados, entre os quais Portugal. O programa de incentivo ao empreendedorismo na agricultura engloba estágios, ações de formação para jovens agricultores, academias para alunos universitários e open days na fábrica de Avanca.
O grupo Nestlé marca presença em Portugal desde 1923 e é responsável atualmente por 2311 colaboradores, mais de 400 a trabalhar em Avanca. A multinacional tem duas unidades produtivas em Portugal - uma no Porto, dedicada à torrefação de café, e a já referida fábrica de Avanca - e um centro de distribuição também nesta freguesia de Estarreja.