A Nokia inaugurou esta segunda-feira um novo centro de investigação e desenvolvimento (I&D) em Portugal. Este novo polo de I&D dedica-se ao desenvolvimento tecnológico das redes móveis 5G e 6G e permitirá abrir cem novos postos de trabalho, a preencher até ao final de 2024. O valor do investimento não foi revelado.
"O novo centro de investigação e desenvolvimento em Portugal demonstra o investimento contínuo da Nokia no futuro das comunicações móveis", afirma Tommi Uitto, presidente da tecnológica finlandesa para a área das redes móveis, num vídeo previamente gravado, durante a apresentação da nova unidade, que contou com a presença do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.
De acordo com Sérgio Catalão, diretor-geral da Nokia Portugal, o novo centro de I&D para as redes móveis "comprova a continuidade e solidez da operação" da empresa em Portugal, sendo "reforçada mais uma vez pela colaboração com o governo português".
O gestor português refere, ainda, que os projetos da Nokia a desenvolver por cá a pensar no 5G e 6G são reflexo do "compromisso com a transição digital de Portugal, fazendo uso da liderança tecnológica, de uma forte cooperação com o meio académico, e continuando a desenvolver a nossa equipa e a atrair os melhores talentos".
"Este centro irá contribuir para o reforço da nossa liderança em tecnologia 5G e suportará a nossa ambição de nos tornarmos uma empresa pioneira em redes móveis 6G", acrescenta Tommi Uitto.
À margem da inauguração, ainda que questionado pelo investimento necessário para criar o novo centro, Sérgio Catalão diz ao Dinheiro Vivo (DV) que a aposta da Nokia "é essencialmente em pessoas". "Obviamente que há um conjunto de suportes, mas este é um investimento em pessoas com vários tipos de perfis - seniores, médios e mais juniores. Vamos tentar fazer uma mistura dos perfis indicados para aquilo que é um centro de investigação", complementa.
Localizado no campus da Nokia no concelho da Amadora, o novo centro de investigação e desenvolvimento vai focar-se em software para componentes chave das redes móveis 5G e futuro 6G, desde a análise, especificação e desenvolvimento, até à fase de teste.
Segundo explica o diretor-geral da Nokia Portugal ao DV, no novo centro serão desenvolvidos "desenhos de especificações de software". Isto é, os técnicos do novo centro de I&D vão "implementar software e testá-lo para depois ser utilizado em equipamentos com 5G e, no futuro, em equipamentos com 6G". Esse trabalho consistirá também em desenvolver "algoritmos de processamento", que irão, "de alguma forma controlar, os processadores que estão nos equipamentos de 5G e 6G", através da "incorporação de Inteligência Artificial ou outras tecnologias disruptivas", por exemplo, para "otimizar" o funcionamento dos devices no futuro.
Nesse sentido, a operação portuguesa espera criar cem novos postos de trabalho nos próximos dois anos, sendo engenheiros de software e responsáveis técnicos e de produto as funções mais procuradas.
Os projetos a desenvolver no novo polo nacional de I&D serão de âmbito mundial. "[Este centro vai estar] integrado num centro global em rede e que tem presença em outros países e o interessante é que numa altura de reforço do investimento da Nokia em 5G e 6G, esse reforço é feito a partir de Portugal", realça Sérgio Catalão ao DV.
A Nokia tem, refira-se, em diferentes geografias (incluindo Portugal), centros de serviços que gerem remotamente redes de comunicações para alguns das principais telecom mundiais.
Presente na inauguração, o ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, realça a importância do "investimento da Nokia no médio e longo prazo", tendo em conta que a empresa finlandesa está em Portugal há 30 anos. "Centros de conhecimento e do saber é o que precisamos no nosso país", defende.
Este novo centro tecnológico surge mais de um ano e meio depois de a Nokia ter anunciado um investimento de 90 milhões de euros, para a abertura de um centro de serviços tecnológicos, em Portugal, no âmbito de um memorando de entendimento com o governo.
A Nokia tem escritórios e centros tecnológicos, de I&D e de serviços partilhados não só na Amadora, mas também em Aveiro. Em Portugal, a empresa conta com cerca de 2 800 trabalhadores.
[Artigo atualizado com mais informação pelas 13h08]