O presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, afirmou esta sexta-feira que os objetivos da empresa para 2021 foram "atingidos de forma equilibrada", destacando o nível recorde de investimento, alcançado sobretudo devido aos resultados do leilão do 5G.
"Estamos bastante satisfeitos", disse Miguel Almeida na conferência de apresentação das contas de 2021, que decorreu na sede da NOS, em Lisboa. A NOS fechou o último ano com um lucro de 144,2 milhões de euros.
Relativamente ao investimento, o operador investiu um total de 574 milhões de euros em 2021, o nível mais alto de sempre na história da empresa. Este nível de investimento ficou marcado pelo leilão do 5G.
No leilão de frequências, a NOS foi a empresa que adquiriu mais espetro, com as faixas adquiridas a totalizar 165,1 milhões. No entanto, a NOS apenas pagou 151 milhões de euros pelas faixas, beneficiando de um desconto pelo pronto pagamento das faixas ao Estado.
Contando o valor pago pelo espetro no leilão com outras necessidades para disponibilizar 5G, Miguel Almeida sublinhou que a empresa "investiu mais de 200 milhões de euros no 5G, em 2021".
Destacando a elevada capacidade de investimento da empresa, Miguel Almeida revelou que, nos últimos cinco anos, a NOS investiu um total de 2,1 mil milhões. "Investimento totalmente utilizado no nosso país", afirmou o gestor.
Quanto aos objetivos regulatórios do 5G, o CEO da NOS fez saber que a rede 5G da empresa já chega a mais de 75% da população portuguesa.
Reiterando a vontade de "liderar" no 5G, Miguel Almeida admitiu que o operador está a sentir dificuldades na construção da rede, devido "dificuldades logísticas no abastecimento de componentes eletrónicos". Desde que a pandemia da covid-19 surgiu que o mundo atravessa uma crise global no acesso a semicondutores.
Desta forma, conseguir continuar a capacitar as redes da NOS com 5G atingindo os 25% finais de cobertura será "um processo a desenvolver e durante este ano". "Iremos certamente atingir antes dos outros os patamares de cobertura [exigidos]".
Apesar da cobertura 5G da NOS já atingir 75% da população, apenas 15% dos clientes da telecom podem hoje usufruir do 5G. É que apenas 15% dos clientes da NOS têm smartphones 5G, "um número a crescer de forma acelerada, porque o ritmo de troca de smartphones é bastante acelerado em Portugal".
"O 5G acrescenta valor - e é bom que acrescente, dado o investimento que estamos a fazer."
NOS espera retorno do 5G dentro em dez anos
Questionado sobre quando antevê a empresa um retorno do investimento realizado, Miguel Almeida deixou, antes de mais, uma garantia: "Não estaríamos a investir se não soubéssemos que haverá retorno".
No entanto os prazos para registar esse retorno do investimento é "alargado". "Não procuramos retorno em três, cinco ou até oito anos", comentou o CEO da NOS.
O 5G já está disponível em algumas zonas do país, com os operadores (incluindo a NOS) a permitirem que os utilizadores possam aceder gratuitamente à nova rede (caso tenham um equipamento compatível), até ao final de março. A partir daí o acesso, via novos tarifários, será cobrado. No início de fevereiro, a Deco Proteste acusou os operadores de cobrar 5G quando "ainda há pouca cobertura".
Questionado sobre essa critica, o gestor da NOS referiu: "O 5G é mais do que um prolongamento do 4G, que é uma tecnologia que vai trazer novos serviços, essenciais para transformar completamente as empresas, que vai alterar as cadeias de valor e alterar as estruturas de custo das cadeias de valor".
Nesse sentido, estranhou que se questiono "algo que custa muito dinheiro". E apontou o dedo ao Estado pelos custos no 5G.
O Estado tinha opção. Foi dito que iam optar pela disseminação rápida dos serviços e, portanto, por incentivos aos operadores e depois fizeram o exato oposto, que foi cobrar pelo espetro na gama dos 3,5 GHz, por exemplo, que foi adjudicado dez ou oito vezes acima do preço de reserva. Não fizeram nada do que tinham dito que iam fazer. Oneraram os operadores em sede de espetro. Nas taxas de espetro não fizeram tudo o que disseram que iam fazer e continuaram a onerar os operadores. São receitas para o Estado, que obviamente têm consequências", argumentou.
Ainda no âmbito do 5G, tendo em conta que o regulador (Autoridade Nacional de Comunicações, ou Anacom) fez uma consulta sobre a faixa dos 26 GHz (do 5G ultrarrápido, a ser disponibilizado nos próximos anos), o gestor revelou o que a empresa terá dito nessa consulta (resultado ainda está por revelar).
Miguel Almeida explicou que a NOS entende a faixa dos 26 GHz como "algo complementar", mas não será "algo para agora". Afinal, os operadores ainda só estão no início do processo de disponibilização do 5G.
Nesse sentido, o 5G ultrarrápido será uma "necessidade mais evidente mais à frente", segundo o gestor. "Mas estamos interessados [nela]", assegurou.
NOS cresce, mas inflação já se faz sentir
O 5G foi um dos focos desta conferência de imprensa, mas não foi o único. Miguel Almeida também comentou a globalidade dos resultados financeiros do último ano. "O resultado líquido cresceu 57% quando comparado com 2020, que é impressionante, mas é preciso ser tomado com uma dose de sal", tendo em conta "um conjunto de efeitos extraordinários" e "negativos" em 2022.
O presidente executivo da NOS salientou também que as receitas "cresceram 4,6%, ainda assim abaixo do crescimento da base de clientes", justificando-se com "o facto de os preços dos serviços de telecomunicações terem caído, em Portugal". Algo que a Anacom tem desmentido reiteradamente.
Miguel Almeida argumentou que o decréscimo dos preços já era "visível" em anos anteriores. "É óbvio que existiu uma queda muito significativa dos preços nos últimos dois anos", disse, certo que "o crescimento das receitas não acompanha totalmente o crescimento de clientes".
Só nos serviços móveis da NOS a base de clientes subiu 342 mil, "o crescimento mais significativo desde 2015". Os serviços totais cresceram 3,9% para 10,3 milhões em 2021.
Apesar do crescimento do lucro e das receitas, Miguel Almeida admitiu que "estrutura de custos aumentou" indicando que isso se deveu já a um peso da inflação no negócio. " A inflação é já bem evidente em alguns custos", disse.
O gestor contou que, apesar da empresa ter acordos anteriores à crise dos semicondutores, o que "de alguma forma protege" a telecom, a inflação impacta "de alguma forma nos novos investimentos".