A NOS registou nos primeiros nove meses do ano um lucro de 191,3 milhões de euros, de acordo com as contas relativas ao terceiro trimestre do ano, enviadas esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O valor é fruto do efeito contabilístico do reconhecimento de mais-valias de 75 milhões de euros no terceiro trimestre, pela alienação de mais torres no âmbito da venda de torres de telecomunicações à Cellnex em 2020. Excluindo o registo dessas mais-valias só agora, o lucro líquido consolidado da NOS ascende a 128,4 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 7% em termos homólogos. No entanto, observando apenas os números entre julho e setembro, observa-se uma quebra homóloga de 6,6% nos lucros, para 43,1 milhões.
O presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, citado em comunicado, nota que este desempenho da empresa ocorre "num contexto muito desafiante, de inflação, guerra na Europa e disrupções nas cadeias de abastecimento".
Fazendo o somatório dos primeiros nove meses do ano, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) aceleraram 4,7%, para 500 milhões de euros. A contínua recuperação do negócio dos cinemas e o aumento do número de serviços de telecomunicações e de clientes móveis justificam a melhoria do EBITDA.
As receitas consolidadas superaram os 1 123 milhões de euros (+7,5%), com as receitas das telecomunicações a subir 5,8%, para 1,089 mil milhões de euros, comparativamente com os primeiros nove meses de 2021.
Observando os números da operação, o número total de serviços prestados pela NOS foi de 10.665,2 milhões até setembro (+5,1%). O operador dá conta de 141,6 mil adições líquidas (isto é, novos clientes). O número de clientes convergentes cresceu 6,5%, para 1.071,2 milhões, enquanto o número de subscritores móveis aumentou 8,3%, para 5.642,3 milhões.
Do ponto de vista operacional, a empresa liderada por Miguel Almeida diz que "o terceiro trimestre foi o melhor desde o início do ano", com o negócio móvel a "apresentar-se como o segmento de maior crescimento, com mais 113,3 mil subscritores entre julho e setembro, dos quais 107,2 mil pós-pagos".
A rede fixa da NOS cobre mais 3,2% das casas do que em igual período de 2021, chegando agora a 5,217 milhões de lares.
No segmento empresarial, os serviços da NOS totalizavam 1,640 milhões, mais 86 mil serviços em termos homólogos.
Na área do entretenimento, onde se encontra o negócio dos cinemas, a NOS registou "uma recuperação face ao trimestre homólogo de 2021, embora ainda não tenha atingido os níveis pré-pandemia". "Nos meses de julho, agosto e setembro, a NOS vendeu 1,786 milhões de bilhetes, naquele que foi o melhor trimestre pós-pandémico, representando um crescimento de 43%", em termos homólogos. "Este desempenho supera os resultados do mercado como um todo, que apresentou um crescimento de 37% para 2,720 milhões de bilhetes", lê-se.
A NOS considera os resultados positivos, mas as contas divulgadas mostram que a estrutura de custos do negócio da NOS está a agravar-se. No final de setembro, os custos operacionais tinham disparado 9,9%, para 623,4 milhões de euros. Só as telecomunicações representavam mais de 620 milhões de euros dos gastos.
A telecom reconhece, ainda assim, fazer ""esforços de contenção de custos sempre que possível", tendo em conta a incerteza económica, o que tem permitido manter uma "margem positiva".
"Nomeadamente, no que concerne aos custos de eletricidade, a NOS conseguiu assegurar o valor para aproximadamente 35% das suas necessidades, através de um acordo de longo prazo de aquisição de eletricidade, concretizado em 2021, que pressupunha a construção de um parque eólico ibérico, injetando eletricidade renovável na rede. Dos 65%, cerca de 35% advém do mercado regulado, o qual beneficia de preços controlados pelo regulador, e 30% do mercado spot. Como a tal, a exposição da NOS à inflação dos preços da eletricidade está largamente mitigado", dá como exemplo a empresa.
Na apresentação das contas, a NOS dá conta que continua com "o seu agressivo plano de investimentos", apesar do contexto macroeconómico, indicando que o programa acelerado de implementação do 5G está a terminar.
"O programa de implementação do 5G e a contínua expansão são visíveis no aumento anual do de 8,2%, para 75,9 milhões de euros [de investimento], dos quais 364 milhões de euros estão relacionados com a expansão e projetos de modernização de rede", lê-se.
"Hoje, mais de 80% dos portugueses têm a possibilidade de aceder ao 5G, num compromisso claro de liderança que a NOS assumiu desde o início, e que reforçamos todos os dias, em todas as frentes, apesar de um contexto regulatório que continua a ser penalizador para o desenvolvimento integral do setor", declara o CEO da NOS, Miguel Almeida, citado em comunicado.
No final de setembro, a dívida líquida da NOS ascendia a 1.561,8 milhões de euros, mais 9,1% em termos homólogos, o que representa um rácio de 2,44 vezes o EBITDA.