Miguel Almeida, CEO da NOS, não quer entrar numa nova guerra de conteúdos desta vez com as operadoras a comprar grupos de media com televisões. Pelo menos de forma "proactiva".
"Não é um caminho que vamos seguir, pelo menos para nós", diz o CEO da operadora, durante a apresentação de contas do fecho de 2016, em que a companhia obteve lucros de mais de 90 milhões de euros. "Enquanto empresa do sector e cidadão não é um caminho positivo para a sociedade", argumenta. Por isso, do nosso lado não esperem nada, pelo menos de forma proactiva", reforçou.
E se um operador concorrente avançar? "Não quero acreditar que isso vá acontecer", diz. O Expresso tinha dado recentemente conta de que a Altice, dona do Meo, poderia ser um dos interessados na compra da TVI, o que levou os analistas do Haitong a avançar de que isso poderia levar a um movimento da NOS que poderia avançar para a compra de um grupo de media com uma televisão em sinal aberto.
Miguel Almeida que a NOS tem mantido em relação aos conteúdos a mesma posição. Se nos conteúdos desportivos defenderam o acesso universal aos mesmos, "no que toca a conteúdos de media, que tenham uma componente relevante de notícias, os canais free-to-air temos a mesmo política: devem ser universais", defende. O CEO da NOS frisa que foi a tentativa de um operador de alterar essa situação, que levou a companhia a avançar com os direitos desportivos. "Ganhamos uma vantagem destacada e não a usamos com o objetivo que outros que iniciaram o processo pretendiam", reforça, numa referência à Meo.
O CEO da NOS fala da necessidade dos operadores aprenderem a lição com a guerra dos conteúdos desportivos. "Penso que é claro que a balança final dos conteúdos desportivos não é positivo para as operadoras. A lição deve ser aprendida", disse, lembrando que houve um aumento de custos. "E aumentar os custos não é bom para as empresas".
E na NOS, que passou desde junho do ano passado a deter os direitos televisivos dos jogos do Benfica, bem como do Benfica TV, esse impacto fez-se sentir nas contas. Os custos de programação aumentaram mais de 22% no quarto trimestre e 14,3% no total do ano passado "devido aos novos contratos com clubes que entraram em vigor no início da época futebolística 2016/2017 e devido às alterações na estrutura de custos do modelo de distribuição da Sport TV para todos os operadores do mercado, que resultou da necessidade da introdução de um modelo financeiramente mais sustentável", explica a operadora no relatório e contas.
Em final de fevereiro foi confirmada a atual configuração acionista da SportTV, com a PT Portugal a juntar-se ao empresário Joaquim Oliveira (um dos acionistas do Global Media Group, o mesmo do Dinheiro Vivo), NOS e Vodafone, modelo definido na sequência dos acordos de partilha de conteúdos fechados o ano passado.
E este ano?
O ano passado o impacto dos custos desportivos fez-se sentir na segunda metade de 2016, efeito do início da época desportiva. "Em 2017 esse impacto vai-se manter no primeiro semestre e não alterará no segundo semestre", refere Miguel Almeida.
Em julho, a NOS passa também a ter a gestão do Sporting TV e em julho do ano seguinte a gestão dos direitos televisivos do clube de Alvalade. "Há um aumento de custos, por vários fatores, mas não quer dizer que isso vá impedir que os nossos resultados continuem a crescer".