Pela terceira vez, a NOS foi ao mercado financiar-se com nova emissão de dívida verde. A telecom fez saber esta quarta-feira que fechou o levantamento de 300 milhões de euros através de empréstimos obrigacionistas e papel comercial indexados a objetivos de sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono. Desde 2020, a NOS já contratou um total de 550 milhões de euros em dívida sustentável.
De acordo com a informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o valor total da nova emissão de dívida verde atinge a maturidade em 2027. A empresa liderada por Miguel Almeida contará com com a ajuda do Millennium bcp, da Caixa Geral de Depósitos e do BPI para reforçar a aposta em linhas de financiamento associadas a medidas ESG (ambiente, social e governance).
A NOS assegura que a nova emissão de dívida verde contribui "positivamente" para o custo médio da dívida da empresa, considerando que a mesma "se encontra em patamares muito atrativos face às congéneres nacionais e europeias. Por outro lado, as novas linhas de financiamento sustentável ajuda a empresa na "diversificação dos instrumentos de financiamento e alongamento de maturidades".
Os financiamentos bancários, hoje anunciados, foram acordados "ao abrigo do recém desenvolvido sustainability-linked financing framework, e encontram-se indexados ao objetivo de redução das emissões de gases com efeito de estufa da operação própria [emissões de âmbito 1 e 2] em pelo menos 80%, até 2025, em relação a 2019". Um objetivo em linha com "as melhores práticas do setor, visando manter o aquecimento global limitado a 1,5 graus centígrados".
O sustainability-linked financing framework é um programa interno da NOS que procura juntar as estratégias de financiamento a estratégias de sustentabilidade corporativa. O programa tem o parecer positivo da agência de notação financeira Standard & Poor's, que "classifica a maioria das categorias do framework com o nível Avançado (a melhor classificação possível)".
Com a contratação de 300 milhões de euros em emissões de dívida verde, "a NOS passará a ter mais de 40% da sua dívida contratada associada a indicadores e targets de sustentabilidade".
No final de 2021, a dívida financeira líquida situava-se nos 1.032 milhões de euros. A telecom garante que o rácio de endividamento dívida financeira líquida representa 1,99 vezes o EBITDA após leasing, "um valor bastante abaixo das outras empresas do setor das Telecomunicações, o que demonstra a solidez ímpar do seu balanço consolidado".
Foi em dezembro de 2020 que a empresa liderada por Miguel Almeida abriu a primeira linha de financiamento sustentável. Na altura, emitiu 100 milhões de euros em papel comercial do espanhol BBVA. A NOS voltaria ao mercado em julho de 2021 - dessa vez contratou 150 milhões de euros numa emissão de dívida em linhas de financiamento sustentável aos bancos Millennium bcp, BBVA e BPI.
Refira-se que a NOS foi a primeira empresa de telecomunicações portuguesa a relacionar custos de financiamento com desempenho em matéria de sustentabilidade.