O CEO ANA Aeroportos garantiu esta terça-feira, 29, que a empresa é "parte da solução" para o aumento da capacidade aeroportuária na região de Lisboa, sublinhando que "é preciso tomar esta decisão o mais rapidamente possível". Recusando assumir uma posição relativamente ao modelo e à localização que melhor pode responder ao problema, Thierry Ligonnière deixou vários recados ao governo assegurando que a "ANA é uma das entidades mais objetivas neste processo com uma posição totalmente analítica e que está "entre os maiores contribuintes em Portugal".
"Somos um parceiro de Portugal para o desenvolvimento económico e social, um parceiro positivo e de confiança e somos parte da solução", garantiu.
"A ANA não tem superpoderes mas tem engenheiros, tem excelentes economistas e advogados com grande conhecimento e temos todas as competências e experiência necessária para compreender a temática das concessões das infraestruturas de aeroportos. Além destes recursos, a ANA beneficia do seu conhecimento da rede de 70 aeroportos em todo o mundo", esclareceu durante a sua intervenção na conferência "Novo Aeroporto, Tempo de decidir", organizada pelo Conselho Económico e Social (CES) em parceria com o Público.
O CEO da gestora dos aeroportos nacionais quis desmistificar "alguns mitos" sobre a empresa e garantiu que a "ANA não tem poder de impor uma vontade" ao governo assegurando que o direito público é "desequilibrado" por favorecer sempre o Estado no contrato assinado entre as partes.
Thierry Ligonnière adiantou ainda que a empresa detida pela Vinci "não defende uma solução que satisfaça" os seus lucros mas sim "o concedente" e reiterou que é imperativo que haja uma reflexão sobre o modelo de financiamento da futura infraestrutura da capital, que poderá recair ou sobre os contribuintes ou sobre as companhias aéreas.
"A ANA tem de recuperar o investimento através do aumento das taxas e do tráfego. Se as taxas forem muito elevadas o equilíbrio seria feito através de subsídios e, para evitar aumentar a divida pública, é importante perceber o projeto que pode ser viabilizado com as taxas [dos contribuintes]", indicou, assegurando que é essencial perceber "quanto custa cada opção e de onde vem o financiamento" e, caso o peso recaia nas companhias aéreas é preciso "ver o que aceitariam pagar" relembrando que algumas transportadoras estão fragilizadas depois da pandemia.
Os timings são outro fator que deve ser considerado na hora da decisão. "Todos os dias que passam o país perde oportunidades e as companhias aéreas vão desenvolver as rotas noutros locais", lamentou. Ligonnière alertou ainda para a viabilidade ambiental lembrando que "o que era possível há uma década não o é hoje". "O risco de não se conseguir uma declaração de impacto ambiental favorável deve ser seriamente avaliado", concluiu.