Quinze dos maiores bancos e fundos de gestão de ativos do mundo estão à espera que o Banco de Portugal lhes diga quanto dinheiro emprestou ao Novo Banco (NB) a fim de decidir se as cinco obrigações seniores transferidas para o banco mau (BES) no final de 2015 envolvem ou não um evento de crédito, isto é, se há ou não incumprimento.
Este caso, que causou desde logo grande consternação junto de gigantes da alta finança mundial (como a gestora Pimco), arrasta-se há um mês e meio.
15 maiores reúnem em Londres, na ISDA
Tal como noticiou em janeiro o Dinheiro Vivo, os maiores bancos do mundo têm vindo a reunir-se em Londres para avaliar o problema criado pelo Banco de Portugal nas obrigações do Novo Banco.
Esses encontros têm ocorrido na Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA na sigla em inglês) e pretendem chegar a uma decisão sobre se há ou não “evento de crédito” (incumprimento de obrigações) e, como tal, se devem ser acionados os respetivos seguros (derivados do tipo CDS - credit default swaps) para cobrir eventuais perdas em que os “institucionais” entretanto incorreram ou vão incorrer depois da decisão de Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, a 29 de dezembro.
De acordo com o sumário da última reunião (quinta-feira, 11 de fevereiro) estiveram sentados à mesa a falar do caso Novo Banco 15 instituições financeiras: os bancos Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JP Morgan Chase, Morgan Stanley e Nomura; e as gestoras de fundos Alliance Bernstein, Blue Mountain Capital, Citadel, Cyrus Capital, Pacific Investment Management Co (Pimco).
Tal como têm feito nas últimas semanas, a falta de informação do banco central e o facto de última prestação de contas do NB ter acontecido até 30 de junho de 2015, os 15 decidiram adiar de novo uma decisão sobre o Novo Banco.
Nova reunião de crise na quinta-feira
Desta feita, a decisão deslizou até à próxima quinta-feira, 18 de fevereiro, porque os membros da ISDA precisam de informação relevante do Banco de Portugal sobre o valor em créditos e apoios dos bancos centrais (BdP e BCE).
Só com essa "informação atualizada" é que, dizem, podem fazer as contas finais às perdas decorrentes da transferência das tais cinco obrigações no valor nominal total de 1,941 mil milhões de euros.
“Uma vez que os resultados financeiros semestrais foram preparados para o período que termina a 30 de junho de 2015, o comité de determinações [o órgão da ISDA onde estão sentados os 15 representantes dos credores] decidiu que era prudente esperar e realizar novas tentativas para reunir informação atualizada sobre a dívida total em obrigações relevantes da entidade de referência [Novo Banco], incluindo em particular o financiamento da banca central, antes de ditar uma determinação”, diz a ISDA.