O presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, considera que a principal vitória em relação ao ex-BES foi o banco sobreviver depois da resolução.
Em entrevista ao "Negócios", o responsável diz que o Novo Banco era uma instituição com "uma situação muito muito complexa, que não era conhecida em toda a sua extensão na resolução".
Para Stock da Cunha, que sai ainda este mês para regressar ao Lloyds, onde vai ter funções relacionadas com fusões e aquisições, a principal vitória do seu mandato de dois anos foi ""o Novo Banco sobreviver". E admite que a instituição pode dar lucro em 2018.
O responsável admitiu que ficou surpreendido com o banco devido à "complexidade" do que encontrou, nomeadamente as soluções comerciais que encontrou para os clientes, sobretudo para os emigrantes, naquilo que se podiam considerar créditos em matrioskas.
Questionado sobre a venda do Novo Banco - um processo que conta com quatro interessados e cujo modelo de venda estará definido até ao final do mês - Stock da Cunha diz que não houve deterioração de valor mas que se constatou que "o banco tinha uma situação de partida mais frágil do que aquilo que se conhecia" e que houve uma "deterioração grande nos mercados". Não adiantou, contudo, qual poderia ser a solução preferencial e o melhor modelo de venda, referindo que existem prós e contras nos vários cenários.
Admite, contudo, que a venda em bolsa pode resultar "desde que o mercado não esteja numa situação desastrosa". Avisa, contudo, que não tem "certeza jurídica" de como se faria uma nacionalização da instituição caso o processo de venda falhe.
No 'road show' que fez com Sérgio Monteiro, que está a liderar o processo de venda, recebeu manifestações de interesse. "Nem todos disseram vou lá. O que ouvimos da esmagadora maioria, mais do que talvez, foi: é possível pensar nessa ideia, no momento adequado, cumprindo-se condições".
Ontem, em entrevista à Sic Notícias, Stock da Cunha tinha admitido que o valor da venda do Novo Banco pode não ser muito elevado. "Temos de ser um pouco realistas", afirmou, lembrando que o segundo maior banco nacional vale em bolsa "pouco mais de 1.000 milhões de euros".
"Não podemos esperar valores muitíssimo altos", acrescentou.