O presidente da SATA, Luís Rodrigues, vai ser o novo CEO da TAP, anunciou esta segunda-feira o ministro das Finanças, Fernando Medina, depois de ter revelado que o Estado vai demitir a atual presidente executiva da companhia aérea, Christine Ourmières-Widener, e o chairman, Manuel Beja, na sequência do relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) que considerou inválido o acordo que atribuiu uma indemnização de meio milhão de euros a Alexandra Reis para sair da transportadora aérea.
Luís Rodrigues também já passou pela TAP, entre 2009 e 2014, durante a administração de Fernando Pinto: foi administrador executivo na 'holding' TAP SGPS e da TAP (negócio da aviação), presidente do conselho de administração da TAP Manutenção e Engenharia Brasil e administrador executivo da Groundforce.
Ainda antes de ser conhecido o relatório da IGF, o novo CEO da TAP deu uma entrevista ao DN, em que considerou que "todos são culpados", políticos e gestores, relativamente à polémica em torno da indemnização de 500 mil euros paga pela companhia aérea a Alexandra Reis para cessar funções na TAP.
Questionado se a TAP deveria ter tido outro tipo de escrutínio, tendo em conta que se trata de uma empresa intervencionada pelo Estado, Luís Rodrigues considera que "os sistemas e ferramentas de escrutínio estão lá todos". "Provavelmente o que acontece, de vez em quando, é que as coisas falham, ou por omissão de qualquer um ou por todos". Sobre a assunção de responsabilidade, Luís Rodrigues, afirmou: "Nos divórcios todos somos culpados".
Quanto à indemnização de meio milhão de euros a Alexandra Reis, o novo presidente executivo da TAP não se quis pronunciar. Já sobre o eventual bónus de três milhões de euros que Ourmières-Widener iria receber caso cumprisse com os objetivos do plano de reestruturação até 2025, Luís Rodrigues considera que é natural: "Não me surpreendeu o bónus que foi anunciado, é assim que a indústria opera, é altamente competitiva".
Com a exoneração por justa causa de Ourmières-Widener e de Manuel Beja, estes dois administradores não terão direito a qualquer compensação ou bónus, esclareceu esta segunda-feira o ministro das Finanças.
No seu caso em concreto, Luís Rodrigues revelou que não irá receber bónus algum pela reestruturação da SATA. Nesta entrevista ao DN, o ainda presidente da companhia açoriana revelou que o caderno de encargos para alienar "51% a 85%" está pronto e o processo negocial deverá concluir-se até outubro. Sobre a TAP, afirmou que o bónus da CEO não o surpreendeu. Releia aqui a entrevista do administrador que Medina e Galamba escolheram para liderar a TAP.
Sobre o plano de reestruturação da TAP, Luís Rodrigues preferiu manter-se neutro: "Acho que não seria correto fazer qualquer comentário sobre a TAP. Aquilo que posso dizer enquanto cidadão é que espero que a vida lhes corra bem, que resolvam os problemas todos e que se tudo correr bem para a TAP, então corre bem para todos".
Também foi vago quando questionado se a TAP poderá vir a ser privatizada por um valor mais baixo do que os 3,2 mil milhões de euros que o Estado injetou na companhia: "Não me pronunciarei sobre esse tema".
Em relação ao futuro aeroporto de Lisboa, Luís Rodrigues mostrou-se preocupado com a demora nas decisões e alertou que isso poderá desvalorizar a TAP: "Por exemplo, qualquer investidor privado que venha a adquirir a SATA vai querer crescer, mas se não poder fazê-lo por limitações da infraestrutura aeroportuária, a coisa perde valor".
Ainda assim, tem esperança que a solução seja encontrada até ao final do ano. Preferência por localizações não tem: "Quero é que a coisa seja resolvida rapidamente. Não defendo localização nenhuma, porque não conheço suficientemente o tema e as localizações para me pronunciar a esse respeito, quero é que se resolva rapidamente".
Como administrador executivo da TAP, entre 2009 e 2014, Luís Rodrigues liderou a gestão de escalas em mais de 90 destinos, criou e implementou um programa de redução global de custos da companhia.
Em abril de 2015, assumiu funções como presidente executivo (CEO) da Nova School of Business and Economics Executive Education, no concelho de Cascais (distrito de Lisboa) e foi professor em Estratégia, Corporate Governance e Liderança Aplicada na mesma instituição.
A janeiro de 2020, assumiu o cargo de CEO da SATA, a companhia aérea dos Açores, para ajudar com o plano de reestruturação, conseguindo bater recordes de passageiros da empresa.
Luís Rodrigues é licenciado em Economia pela então Faculdade de Economia da Universidade de Lisboa, hoje Nova SBE.