A inflação veio para ficar e a tendência continua a ser de crescimento. A taxa subiu para 9,1% em julho e atingiu o máximo desde novembro de 1992. Já no mês de junho tinha tocado os 8,7% em Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). São más notícias para as famílias e também para o primeiro-ministro, António Costa, que vê assim, de novo, contrariada a sua afirmação de que se trataria de um fenómeno meramente conjuntural.
Na opinião de variados economistas, Portugal não se livrará de um recessão já em 2023. Aliás, são cada vez mais os especialistas em macroeconomia que consideram que essa será uma realidade global no próximo ano. A profusão de estímulos económicos durante a pandemia, os constrangimentos nas cadeias de produção e fornecimento decorrentes das restrições na China e ainda a invasão bélica da Ucrânia pela Rússia, entre outros fatores, levaram a inflação mundial a níveis nunca vistos em décadas, em várias geografias.
Para conter a inflação, os bancos centrais têm vindo a aumentar as taxas de juro, enquanto os mercados financeiros têm reagido com sucessivas quedas, ou seja, os investidores em Bolsa também demonstram pouca confiança ou pouca fé no futuro.
Pior: segundo o Financial Times, sete em cada 10 economistas nos Estados Unidos acreditam que isso poderá acontecer já neste ano, além de suceder no próximo, segundo uma sondagem recente feita pelo jornal em parceria com a Escola de Negócios Booth da Universidade de Chicago (EUA).
Se entrarmos em recessão sabemos o que nos espera: diminuição do consumo e inevitável contração do investimento, mais desemprego e crescimento de crédito malparado, ou seja, as famílias e as empresas vão enfrentar muito maiores dificuldades para pagar as suas dívidas e a banca - apesar de ter apresentado lucros nos últimos dias - deve preparar-se para isso.
Outra fonte credível, a BBC News, perguntou a quatro destacados economistas se creem que haverá uma recessão nos Estados Unidos e no mundo num futuro breve e resposta é "sim".
À beira de partir para as férias de agosto, estas não são as notícias mais desejadas pelos portugueses, mas não devemos enfiar a cabeça na areia quando todo o mundo à nossa volta se deprime e fica cada vez mais perigoso.
Carregue bem as baterias, vista o colete antibala e boas férias!
Jornalista