Há pouco mais de um mês que uma nova tragédia sobressalta um país, um continente e um planeta mal refeitos de uma pandemia (que ainda não terminou, embora dê sinais de quebra). A guerra na Ucrânia devolve-nos a irracionalidade dos conflitos militares, o sofrimento dos inocentes e a perda de vidas humanas. E nesse confronto com a brutalidade de um conflito bélico de consequências imprevisíveis, todos nos sentimos impelidos a atuar.
Enquanto ansiamos pelos resultados da diplomacia, para pôr fim a uma escalada de violência que inquieta e atemoriza todo o continente, temos de apoiar todas as vítimas da guerra na Ucrânia. Na Universidade de Coimbra, mobilizámos esforços quase desde o primeiro dia, associando-nos a duas iniciativas de recolha de donativos financeiros para apoiar deslocados e refugiados da guerra (uma da Embaixada da Moldávia em Portugal e outra do nosso consórcio European Campus of City Universities, centralizada na Universidade de Iasi, na Roménia) e disponibilizando-nos para acolher estudantes e investigadores/as ucranianos/as (ativando o nosso Fundo de Apoio aos Refugiados, que regularmente mobilizamos para situações similares na ajuda a estudantes provenientes de outras zonas do globo).
O enquadramento legal deste no apoio a refugiados ainda está a ser ultimado pela tutela, sendo certo que, compreensivelmente, a generalidade destas deslocadas e refugiadas da guerra (a maioria dos homens maiores de 18 anos não pode deixar a Ucrânia) acredita poder voltar ao país daqui a escassos meses. No entanto, enquanto Reitor, preocupa-me particularmente a tragédia que pode estar aqui a desenhar-se.
Se a guerra se arrastar ou as instituições de ensino superior ucranianas ficarem arrasadas pela invasão russa, é todo o meio académico e científico ucraniano que pode acabar igualmente arruinado, com uma geração inteira perdida sem estudos superiores.
Creio que todos temos a consciência do papel verdadeiramente insubstituível que as instituições de ensino superior têm para o desenvolvimento de um país, incluindo a produção científica e a transferência de conhecimento para a sociedade. Esperemos que o sistema académico e científico ucraniano resista. E, se necessário, as universidades europeias o consigam ajudar a reerguer-se.
É tremendo o impacto que a pandemia teve (e terá) na geração que atualmente frequenta o ensino superior. É uma violência que estes nossos jovens, para além da pandemia, tenham ainda que conviver com a incerteza de um conflito armado que sabemos como começou, mas desconhecemos como terminará. É indescritível que se deixe a Ucrânia à sua sorte contra uma invasão devastadora como a que está a sofrer.