Ainda que se trate de uma estimativa rápida, o crescimento económico do segundo trimestre é um assunto que deve merecer redobrada atenção.
É muito claro que a inflação e a subida das taxas de juro continuam a produzir repercussões muito negativas sobre a atividade económica.
A nível nacional, há sinais de arrefecimento da economia e do risco de inversão do padrão mais sustentável, em matéria de crescimento, observado no primeiro trimestre, aquele em que a dinâmica do PIB estava fundamentalmente alicerçada no contributo positivo das exportações líquidas.
A economia cresceu, em termos homólogos, 2.3%, mas o contributo positivo da procura externa líquida foi inferior à do primeiro trimestre, em resultado da desaceleração das exportações de bens e serviços mais forte que a das importações.
Na dinâmica em cadeia, a preocupação agudiza-se, pois, o contributo da procura externa líquida passou a negativo, após ter sido positivo no primeiro trimestre, em consequência do comportamento das exportações, leia-se das exportações de bens. Deste modo, o crescimento económico em cadeia no segundo trimestre foi nulo (após 1.6% no anterior), refletindo unicamente o aumento do contributo da procura interna, ancorada na aceleração do consumo privado.
Tendo em conta estes números, é com avidez que anseio o impacto positivo que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) traz para Portugal, nomeadamente pelo seu contributo para o aumento das exportações.
Um momento alto para Portugal, por inúmeras razões.
Pela excelente oportunidade do nosso país mostrar a sua capacidade em organizar um evento com esta dimensão e apresentar ao mundo o que de melhor se faz em Portugal. É uma verdadeira montra para a valorização da oferta nacional. A título de exemplo, os cadeirões do Papa Francisco foram feitos de propósito para o evento por uma empresa industrial de Rebordosa (Paredes), em que os tecidos e restantes materiais utilizados têm por base uma política industrial sustentável.
Há quem já tenha feito contas e avance que a JMJ terá um impacto de várias centenas de milhões de euros em valor acrescentado bruto na economia portuguesa.
Naturalmente, devemos somar o impacto na sociedade, fruto da partilha de experiências entre milhares de jovens vindos de vários países, com diferentes culturas e estilos de vida e com um propósito comum, dificilmente mensurável e seguramente memorável para todos os participantes, numa altura em que os jovens enfrentam enormes desafios!
Presidente do Conselho de Administração da AEP