O Real Madrid, que ergueu o troféu de campeão em 2020, vai deixando fugir o Atlético no topo da liga espanhola. Em Inglaterra, o Liverpool , vencedor no ano passado da Premier League, já acumula incríveis 19 pontos de atraso em relação ao líder Manchester City. Em Portugal, o campeão FC Porto caiu para terceiro. Nem o PSG lidera em França. E até a Juventus, eneacampeã (nove vezes seguidas) italiana, está a ficar para trás este ano.
Há uma crise desportiva entre os campeões na Europa? Sim. Mas nada que se compare com a crise financeira - logo desportiva - do Jiangsu FC: o orgulhoso campeão da China, a suposta nova Meca do futebol mundial, encerrou as atividades nesta semana.
E o fim de um clube na costa oriental chinesa pode ter um efeito tão devastador no mundo do futebol como o da falência de um banco em Nova Iorque na economia mundial? Talvez.
Para começo de conversa, o caso do clube do internacional brasileiro Miranda ou do atacante ítalo-brasileiro Eder não é isolado. Outra equipa da primeira divisão, o Tianjin Tianhai, entrou em bancarrota e o seu rival, Tianjin Tigers, deve seguir o mesmo caminho. Se aumentarmos o escopo, veremos que 16 clubes distribuídos pelas três principais divisões cessaram atividades, segundo a contabilidade do jornal britânico The Guardian.
No caso do Jiangsu, que além das estrelas citadas chegou, no auge do boom financeiro, a contratar Fabio Capello como treinador, a desviar Alex Teixeira do Liverpool e a quase contratar o galáctico Gareth Bale, as razões da falência passam basicamente pela diminuição de receitas na pandemia não apenas do clube mas também da loja de departamentos Suning, o Walmart chinês, que o sustentava.
Com a derrocada do campeão nacional e dos outros, cai aparentemente por terra o sonho de Xi Jinping de fazer da liga local uma das mais apetecidas do mundo.
E aqui entra a pergunta sugerida acima: o Jiangsu pode ser o Lehmann Brothers do futebol? Há risco de efeito dominó? O futebol, até o europeu, pode ruir como um castelo de cartas?
Pode ser prematuro responder que sim mas a Suning, além de dona do falecido clube, é a acionista maioritária do Inter de Milão, o líder da Série A italiana à frente da tal eneacampeã Juventus...
Jornalista, São Paulo