O mercado imobiliário em Lisboa: onde estamos e para onde caminhamos

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Nos últimos anos, Portugal tem sido dos países europeus mais procurados por quem quer investir no setor imobiliário. Lisboa, em particular, destaca-se como uma das regiões que desperta maior interesse, de acordo com os últimos relatórios da PwC que analisam as tendências emergentes no setor imobiliário. Com um mercado imobiliário dinâmico e atrativo, características como a qualidade de vida, o clima, a segurança e as baixas taxas de juro continuam a atrair investimento estrangeiro, em paralelo com a crescente procura por parte das famílias locais que procuram casas que se enquadrem nas necessidades "pós-Covid".

Contudo, e apesar do seu crescimento significativo, o mercado imobiliário português é ainda um mercado fragmentado, que se caracteriza por ser ainda bastante tradicional, offline e ineficiente. Estas características traduzem-se num tempo médio de venda de 6 meses (de acordo com dados do Confidencial Imobiliário), múltiplas visitas físicas necessárias e a incerteza adicional para o vendedor. Neste sentido, a digitalização e a otimização dos processos não é ainda uma realidade, bem como a adoção de ferramentas que acelerem e simplifiquem a experiência associada à transação.

Ao nível dos hábitos de compra, e apesar do recente crescimento do mercado de arrendamento, a tendência e preferência continua a ser adquirir a propriedade tradicional, com uma taxa de propriedade de 74% e mais de 70.000 transações por ano a serem registadas apenas na área metropolitana de Lisboa, das quais mais de 90% são casas usadas ou renovadas. Na sequência da pandemia, as famílias desejam mudar para casas modernas no centro da cidade, com áreas maiores, mas a preços acessíveis. No entanto, com as atuais restrições ao desenvolvimento de novas habitações (falta de lotes disponíveis, atrasos no licenciamento e aumento dos custos de construção), a procura dentro de Lisboa é maior do que a oferta, o que acaba por levar ao aumento dos preços.

Assim, tendo em conta que a maioria das casas em Lisboa foram construídas antes dos anos 80 e que a oferta de novas habitações é bastante limitada, existe uma necessidade urgente de renovação do parque habitacional existente. Para que esta necessidade possa ser satisfeita, os processos imobiliários terão de tornar-se digitais, acessíveis, rápidos e, sobretudo, mais fiáveis, a fim de trazer dinamismo e transparência ao mercado português.

A pandemia está a acelerar a digitalização da indústria imobiliária, mostrando a importância do aparecimento de novos players dispostos a transformar o processo de compra, renovação e venda de uma casa, adaptando-se a diferentes clientes e necessidades. Alguns intervenientes não se concentrarão apenas na aquisição das propriedades, mas assumirão também total responsabilidade pela sua renovação antes de as colocarem novamente no mercado, prontas para viver e a preços acessíveis para as famílias locais.

É por aqui que deve passar a solução para transformar um mercado tradicional, pouco transparente, offline, com um parque habitacional envelhecido e com tendência de inflação generalizada: vender propriedades a preços justos tendo em conta critérios de avaliação factuais e comprar propriedades renovadas a preços acessíveis, realizando todo o processo online de forma a evitar visitas físicas desnecessárias, incerteza e longos meses antes de se mudar para uma nova casa.

Duarte Ferreira dos Santos, Vice President of Investments da Casavo em Lisboa

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