Portugal Ventures celebra este ano o 10.º aniversário, através de um conjunto de ações que inclui uma campanha de testemunhos sobre a evolução do ecossistema de empreendedorismo. Na preparação do testemunho sobre o meu mandato (2016-2018), escrevi umas breves notas que partilho como contributo para esta retrospetiva.
Tudo começou com a participação numa reunião de trabalho no Ministério da Economia (janeiro 2016), que tinha como objetivo assegurar a "articulação estratégica entre as diversas incubadoras do país e a dinamização de iniciativas que se interligavam com estas importantes entidades". Na sequência, e perante a ausência de voluntários para liderar a criação da Rede Nacional de Incubadoras, aceitei o convite do João Vasconcelos para assegurar a implementação desta medida do XXI Governo (2015-2019).
Ainda nessa missão, que acumulava com a liderança da Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro (2011-2016), fui um dos responsáveis por assegurar o contributo do ecossistema empreendedor para a definição da estratégia nacional de empreendedorismo. Dos vários contributos recebidos, destaco a proposta de criação da Associação Startup Portugal, desenvolvida por João Trigo da Rosa, Lucena de Faria, Luis Tourais de Matos, Pedro Rocha Vieira, Rafael Rocha e Teresa Van Oerle (junho 2013). Mas mais importante do que a estratégia é a sua execução, o que justificou o convite para liderar a Portugal Ventures (maio 2016), entidade à qual o Governo atribuiu a responsabilidade de assegurar a dinamização da Estratégia Nacional de Empreendedorismo - StartUP Portugal (junho 2016), em simultâneo com a missão de operador público de capital de risco.
Esta missão teve enormes desafios, desde logo pelas dificuldades de acesso a financiamento para a sua concretização, quer por via do Orçamento do Estado quer por via das receitas geradas pelas comissões de gestão dos fundos geridos pela Portugal Ventures. Acresce que estávamos em 2016, ano em que o ecossistema de empreendedorismo estava em ebulição, desde logo, pela necessidade de dar resposta às inúmeras exigências associadas à realização da Web Summit em Portugal (novembro de 2016). A solução, muito pouco consensual à data, foi criar uma associação privada sem fins lucrativos que assumisse a função de "agência nacional de empreendedorismo", com possibilidade de acesso a fundos comunitários, em especial nos domínios da competitividade e internacionalização. Ao fim de um ano, a missão estava concluída e os novos órgãos sociais eleitos (julho 2017), tendo a Associação StartUP Portugal sido responsável pela dinamização das principais iniciativas de ativação do ecossistema.
Aproveitamos esta oportunidade para revisitar a estratégia da Portugal Ventures e sua atividade de gestão de fundos de capital de risco. As políticas de investimento foram reajustadas, com destaque para o reforço dos coinvestimentos, constituídos novos fundos sob gestão, com a primeira injeção de novo capital (desde a sua criação em 2012), reforçados os fundos sob gestão, através da liquidez gerada pelos desinvestimentos, alterada a periodicidade trimestral de captação das melhores oportunidades de investimentos, que passou a ser ativa e permanente, implementada uma nova estratégia para os centros internacionais, mais focada na geração e desenvolvimento de negócio para as empresas do portefólio.
Enquanto entidade pública, reforçamos a divulgação da atividade desenvolvida, tendo passado a ser obrigatório comunicar as políticas de investimento, os investimentos e desinvestimentos efetuados, bem como os seus resultados. Passamos também a partilhar informação relevante sobre o processo de investimento, como minutas de contratos, glossários, estudos e bases de dados, tendo sido iniciado o tratamento, para divulgação pública, do conhecimento gerado pelo investimentos, desinvestimento e falhanços construtivos.
Além da distinção de sociedade de capital de risco mais ativa em Portugal (Top VC in Europe 2017), conseguimos reforçar a participação dos acionistas no governo da sociedade e contribuir para a clarificação do processo de escolha dos membros dos órgãos sociais.
No final do meu turno, o ecossistema português estava mais maduro, com maior visibilidade internacional, com mais investidores de capital de risco e com uma "agência nacional de empreendedorismo" criada, tendo sido decisivo o contributo, a competência, a dedicação e a cumplicidade de toda a equipa da Portugal Ventures.
Neste 10.o aniversário, o meu desejo é que a Portugal Ventures se afirme, cada vez mais, como parceiro estratégico na captação de investimento privado, colmatando falhas de mercado e atuando como investidor em startups em fases de investimento e em setores considerados estratégicos para a economia nacional.
Aqui estarei para aplaudir e comemorar os próximos dez anos.
Presidente do conselho de Administração da Portugal Ventures entre 2016 e 2018