A internacionalização é um tema crítico na estratégia para a competitividade das PME sendo uma das alavancas fundamentais para o reforço do seu desempenho e crescimento, estimulando a inovação, o emprego e contribuindo de forma decisiva para a sua sustentabilidade a longo prazo. Ao expandir as suas atividades para além das fronteiras nacionais, as empresas conseguem diversificar os seus mercados, ampliar a sua base de clientes, contribuindo para um aumento significativo nas vendas e receitas. Empresas que se internacionalizam tendem a ter um crescimento mais rápido e mais sustentado do que aquelas que permanecem focadas apenas no mercado interno.
2022 foi um ano excelente para as exportações de bens e serviços portuguesas. Ficámos muito perto de atingir o valor de 50% no que respeita ao peso das exportações no Produto Interno Bruto Português. As exportações cresceram 23% e representaram 78 Bn. Setores como Metalomecânica, Têxtil e o Calçado, TIC, Alimentar e Agroindústria, Pedras e Mármores, Vinhos e, naturalmente, o Turismo (entre outros) contribuíram de forma significativa para que as exportações portuguesas tivessem a prestação que tiveram ao longo do ano passado, com números recorde nunca conseguidos anteriormente.
Embora a internacionalização apresente desafios significativos, uma vez que levar o negócio além-fronteiras nem sempre é uma tarefa fácil, a adoção de uma estratégia bem delineada e sustentada permite uma maior probabilidade de sucesso no mercado global. Um planeamento eficaz, recursos humanos dedicados, uma capacidade de investimento adequada, a competente utilização da tecnologia e o apoio de parceiros à altura são fatores críticos de sucesso para que todo este processo se torne mais rápido, menos complexo e, sobretudo, mais eficaz para as empresas.
No entanto, antes de avançar com um processo de internacionalização, é necessário realizar uma avaliação exaustiva da envolvente do negócio, dos mercados e da própria organização para melhor acautelar todos os fatores críticos, obstáculos e desafios que possam surgir. Existem algumas questões-chave que qualquer empresa deve avaliar antes de dar os primeiros passos nesta jornada, nomeadamente: Quais as motivações e oportunidades (reativas ou proativas)? Será que o meu produto ou negócio é internacionalizável e introduz a diferenciação certa no mercado? A minha empresa está preparada para esta mudança (capacidade de produção, recursos humanos, etc.)? Quais os mercados mais adequados e qual a melhor estratégia de entrada (Exportação direta, Investimento Direto Estrangeiro, Franchising, Contract Manufacturing, etc.)? Necessito de financiamento para complementar os capitais próprios (PT2030, PRR, etc.)? Como posso abordar novos mercados e fazer prospeção comercial? Quais os parceiros certos para esta viagem?
Na prática, observamos que uma das principais lacunas que as PME enfrentam é a falta de recursos financeiros e humanos adequados para investir na internacionalização. Além disso, as empresas podem ainda debater-se com desafios culturais e linguísticos em todo o processo e abordagem em novos mercados.
Para superar essas barreiras, as PME devem investir bastante na reflexão estratégica que oriente e suporte o planeamento da internacionalização. Isso envolve a identificação cuidadosa da oportunidade, dos mercados-alvo e o desenvolvimento de uma estratégia de entrada que tenha em consideração as diferentes especificidades que apresenta. Garantir os recursos financeiros que permitam uma capacidade de investimento sólida e continuada é também fundamental. Neste âmbito, as linhas de financiamento de apoio à internacionalização, seja no âmbito do Portugal 2030 ou do PRR, devidamente enquadradas na estratégia das empresas, são uma alavanca muito importante para as PME.
Como complemento ao que refiro acima, a tecnologia e os novos meios digitais podem desempenhar um papel fundamental, seja numa abordagem customizada aos mercados acomodando todas as idiossincrasias sociais e culturais, bem como a garantir uma operação competente e eficaz. Seja com o recurso ao já tradicional suporte de plataformas de comércio eletrónico, seja com os mais recentes desenvolvimentos de realidade aumentada e inteligência artificial que permitem conhecer e interagir de forma personalizada e ao mesmo tempo diversificada às diferentes especificidades de cada mercado.
Por último, saliento também a importância de reunir os parceiros certos neste percurso e que apoiem as PME desde a definição da estratégia à prospeção comercial nos mercados selecionados. Só assim, as PME, com as suas especificidades, conseguirão potenciar vendas e reduzir os imprevistos e riscos inerentes a tão estimulante desafio.
Nesse sentido, a Yunit estabeleceu uma parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, lançando uma oferta integrada que tenta responder a estas necessidades: "Via Verde para a Internacionalização". Na prática, apresentamos um roadmap de acesso aos mercados externos para ajudar as empresas a darem os passos certos nesta jornada desde a estratégia e preparação do projeto, passando pelo financiamento à prospeção comercial nos mercados selecionados. Com esta "Via Verde", as empresas passam a contar com um apoio ao longo de toda a execução do projeto de expansão internacional, que seja um facilitador da sua sustentabilidade, eficácia e credibilidade dos contatos, contribuindo de forma significativa para os resultados e sucesso deste plano de expansão e crescimento.
Bernardo Maciel, CEO | Yunit Consulting