Já com o novo governo, vamos agora à nossa vida porque estamos muito atrasados, certo? Errado! A maioria do Parlamento diz que não. Tem que esperar até este governo cair, para tomar finalmente decisões. Pois! E é quase Natal.
No Reino Unido o governo é escolhido, anunciado e comunicado à rainha imediatamente no dia a seguir às eleições. Quando não há maioria e há muitos problemas, pode demorar no máximo 5 dias. A oposição faz também rapidamente as contas, apresenta demissões ou prepara estratégias para atacar o novo governo no Parlamento. O país não perde mais que um par de dias, no máximo uma semana, para continuar o seu “business as usual”. É assim que deve ser para alcançar uma economia borbulhante e um país a funcionar em pleno. Ninguém empata ninguém, e não se admitem falsas desculpas para esperar pelo amanhã. Todos têm mais que fazer.
Em Portugal fizemos milhares de discussões sobre a nossa falta de produtividade, consultámos especialistas internacionais, publicámos artigos infindáveis. Para quê? Não aprendemos nada! Continuamos a adiar a nossa vida e o nosso destino desde o cimo da pirâmide do poder até à mais básica das funções. Parece que há um autismo nacional sempre que se trata de tomar decisões. Vivemos fechados no mito do sebastianismo, sempre à espera de uma desculpa para adiarmos... a vida. Não sabemos aproveitar as mudanças e fazer delas o motor de progresso.
Olhem para a publicidade. Não há sector que utilize melhor os grandes acontecimentos nacionais, as festas tradicionais e até as estações do ano. Tudo serve para ganhar dinheiro e vender, mesmo em tempos de crise. As mudanças são quase sempre pretexto para os publicitários inventarem ou reciclarem produtos, criarem novas campanhas e agitarem o mercado, mesmo quando parece que já não é possível fazer mais nada. Aproveitam sempre “o mudar da folha” ou até problemas nacionais e crises para vender a ideia de que todas as mudanças são pontos de partida para os recomeços. E nós vamos atrás, mas não o conseguimos fazer o mesmo quando se trata da nossa vida ou do destino da nação. Perante decisões difíceis, procuramos sempre, enquanto povo, pretextos para adiar tudo, mais uma vez.
Felizmente acredito que este desígnio é geracional e com tendência para acabar. Ao mesmo tempo que o país político e grande parte da sociedade continuam em stand by, há uma nova geração vacinada contra esta cultura do adiamento. Jovens que não esperam pelos políticos para avançar. Muitos estão a criar startups, a promover campeonatos mundiais de surf ou a gerar invenções que mudam o mundo. Sabem que têm a vida toda pela frente, mas mesmo assim aprenderam já a não perder tempo e a olhar de forma bem diferente para o calendário.