O ministro da Economia, Pedro Reis, afirmou ontem que o Turismo é um “ativo enorme na economia portuguesa”, na VII Cimeira do Turismo. Mais do que uma aparente verdade de La Palice ou uma constatação do óbvio, a frase do ministro deve ser encarada como o ponto de partida para uma reflexão sobre o peso que o Turismo deve ter na nossa economia.
Com o Turismo a pesar quase 20% do Produto Interno Bruto, este setor é realmente o petróleo português. E tal como sucede nos países produtores de petróleo, o risco de dependência em excesso de um só setor é evidente. Como podemos evitar este risco? Diria que a solução não é impedir o crescimento do turismo, criar mais taxas e taxinhas ou dificultar a entrada no setor. Pelo contrário, precisamos de um setor do turismo competitivo e dinâmico, que seja capaz de criar emprego qualificado.
O caminho para a diversificação deve passar, entre outras vertentes, por entender que Portugal é um caso de sucesso de turismo de nicho, em áreas tão diversas como o surf e o golfe, a aventura e o mergulho, a cultura, a/história, a gastronomia e até a religião. É possível atrair e servir bem o turista jovem que vem conhecer o dia (e a noite) de Lisboa num fim de semana ou o turista mais sénior que faz seis horas de avião para fazer um percurso histórico dos castelos portugueses ou dos locais de peregrinação católicos.
Para todos há um lugar, desde que os Governos e o seu braço armado, o Turismo de Portugal, entendam que é com essa diversificação que se mantém o negócio turístico nas diversas épocas do ano, esmagando - como conseguiu a Madeira - a sazonalidade.
Outra questão, mais séria e de longa resolução, é como - ou com que pessoas - vamos receber todos esses turistas para os muitos pontos de atração do mapa nacional. Muitos jovens portugueses formados nas escolas de hotelaria e nas muitas academias de formação das grandes cadeias de hotéis nacionais estão - como em muitos outros setores - a ser atraídos para salários mais chorudos noutras geografias ou para multinacionais mais poderosas. E isso significa que, desde há anos, os hotéis e restaurantes estão a recorrer a migrantes para preencher os lugares vagos, um movimento que o setor tem considerado tranquilo e vantajoso. Tanto é assim que as grandes cadeias hoteleiras e os representantes patronais do setor consideram que o Turismo deveria receber apoios do Estado pela integração dos migrantes no tecido empresarial. É uma proposta que tem argumentos com mérito, mas que também - por ser politicamente carregada - pode ter mais dificuldade em passar num parlamento sem maiorias fortes.
Ainda assim, este é o futuro da indústria de hotelaria portuguesa, mesmo que um inquérito recente diga que 38,5% das empresas turísticas não têm “medidas formais de apoio à integração de imigrantes”. Assim não.
Diretor-adjunto do Diário de Notícias