o ano de 2024 está a acabar, e foi um ano de grandes decisões. Na europa o centro político prevaleceu com enormes exercícios de equilíbrio, mas será forçado necessariamente a mudar o curso da navegação para uma agenda mais militar, mais securitária e também mais protecionista.
Afinal, o conflito na Ucrânia deixará cicatrizes profundas mesmo que saia do terreno para a diplomacia, o controle das fronteiras e da imigração está cada vez mais na agenda dos principais países, e o relatório de Mario Draghi deixou a nu que é preciso cuidar da competitividade europeia, senão o velho continente corre o risco de se tornar irrelevante nas próximas décadas. As boas noticias, e talvez essenciais, é que a guerra à inflação estará vencida, e com custos controlados, deixando a entender que o pior já passou.
Contudo, as incertezas políticas e económicas persistem e continuarão a marcar, pelo menos o primeiro terço de 2025, embora sob novas formas. A agenda económica de Donald Trump é conhecida. Por outro lado, as medidas que serão efetivamente implementadas, o seu calendário e o seu impacto económico estão entre as grandes incógnitas conhecidas de 2025. Em qualquer caso, a própria incerteza poderá ser um grande obstáculo ao crescimento no próximo ano.
Apesar disto, o crescimento moderado deverá prevalecer, o que conjugando com o regresso da inflação a valores próximos da 2%, pode permitir ao Banco Central Europeu prosseguir com mais decisões de cortes nas taxas. O ano de 2025 pode, neste sentido, ficar marcado pelo início da convergência das taxas de crescimento entre os Estados Unidos e a área do euro, mas por trajetórias de inflação divergentes e por uma dissociação das políticas monetárias. No entanto, a possibilidade de uma espécie de renascimento europeu e a potencial introdução de medidas mais ousadas para enfrentar os desafios estruturais do velho continente estão entre alguns dos fatores que podem mudar positivamente este cenário.
Assente nesta perspetiva está o relevante relatório de Mario Draghi, e que trouxe ao de cima a importância de debelar a desvantagem competitiva europeia que começa a ser estrutural.
O chamado “business a usual” não pode continuar a ser opção, e esta é a expressão exata que vem transcrita nas minutas da última reunião informal do Conselho da UE em 8 de novembro.
Há certamente sempre um caminho a fazer, mas parece existir uma forte determinação dos políticos europeus em retomar o caminho para a competitividade. A comissão europeia está neste momento focada para em 2025 decidir sobre planos concretos que levem à redução significativa da burocracia, de redução do excesso de regulação, que estão entre os maiores desincentivos ao investimento privado, dos quais terá de provir a maior parte do esforço de financiamento necessário. E com isto poder capturar uma maior profundidade do mercado único e contrariar a narrativa da inevitabilidade da redundância europeia. Ou seja, o ano de 2025 pode bem ser um ano de grande relevância para o velho continente, que terá de mostrar que, depois de controlar a inflação, também consegue renascer e voltar a crescer.
Economista, presidente do International Affairs Network