

Uma das maiores debilidades da economia nacional prende-se com a falta de investimento. Não é só o investimento público que tem sido baixo, também o privado se situa a um nível que é inferior ao da maioria dos nossos parceiros europeus.
Esta falta de investimento está na raiz de outras fraquezas, a menor das quais não é certamente a baixa produtividade. Com efeito, com uma capacidade limitada para se modernizar, a economia portuguesa tem uma produtividade que não só é muito inferior à dos países mais ricos (e daí os salários serem tão baixos em Portugal quando comparados com os dessas economias) como tem vindo a ter uma performance pior do que a registada noutros países, designadamente do Leste europeu, como a Roménia e a Polónia.
O reduzido nível de investimento resulta, em larga medida, da falta de capital. Afirmar que esta decorre do facto de sermos “pequenos” é assumir uma atitude fatalista. Somos pequenos em quê? Em população? E então o que dizer de países como a Irlanda, a Dinamarca ou a Áustria que, tendo menos habitantes do que o nosso, possuem substancialmente mais capital?
Não resultando da dimensão do país, as raízes mais profundas da falta de capital são seculares, tendo, sim, a ver com uma fragilidade crónica para criar riqueza. A última verdadeira acumulação de capital que tivemos veio do Brasil, não foi criada cá. E foi mal aproveitada pois, sendo na maioria gasta em ostentação, não deu origem ao desejável investimento produtivo.
Muito mais recentemente, há também quem defenda que as nacionalizações ocorridas no pós-Revolução de Abril de 74 desmembraram muito do capital então existente, algo de que o país nunca mais se terá recomposto, mesmo após as privatizações. É certo que entretanto houve os fundos europeus, mas infelizmente nem sempre deram origem a investimento produtivo gerador de riqueza.
Há também quem argumente que a falta da acumulação de capital decorre do facto de, em nome da luta (a maior parte das vezes implícita, não explícita) contra o “grande capital”, os nossos governos não facilitarem os processos de fusão de empresas - ou até de não serem capazes de atrair capital estrangeiro quando ele é efetivamente necessário para criar riqueza (surgindo o caso da Autoeuropa como uma das poucas exceções neste domínio) e não para comprarem património já existente.
Enfim, razões não faltarão. A realidade é que esta falta de capital se reflete não só numa insuficiente modernização da nossa estrutura produtiva, mas também na reduzida dimensão das unidades económicas: as grandes empresas nacionais não passam de médias à escala global e as médias são pequenas no contexto das grandes cadeias de valor mundiais. E o mesmo se passa com as famílias. As mais ricas em Portugal são-no muito pouco quando comparadas com o que se passa noutros países desenvolvidos - porque é com esses que nos devemos comparar.
A verdade é esta: o grande capital é efetivamente um problema em Portugal. É um problema porque pura e simplesmente não existe!
Carlos Brito, professor da Porto Business School