Como uma segurança no futuro, um complemento à reforma ou mesmo uma manutenção do nível de vida, o Plano Poupança Reforma (PPR) é um instrumento de poupança que vale a pena conhecer. Entre as soluções apresentadas que permitem juntar dinheiro para uma fase futura, uma das mais conhecidas e recorrentemente adotada é o PPR. No entanto, as opções e ofertas de mercado são muito variadas e é importante fazer alguma pesquisa sobre o tema. Por tal, o Dinheiro Vivo em parceria com o Doutor Finanças reuniu alguns pontos que precisa de ter em conta para fazer uma escolha mais adequada e segura.
O que é o PPR?
O Plano Poupança Reforma (PPR) é um produto financeiro concebido com o objetivo de promover a rentabilização de um investimento - uma aplicação financeira de longo prazo - e que permite juntar dinheiro até à idade da reforma, gerando um retorno adicional consoante a respetiva taxa de juro anual. Na maioria dos casos, apresenta condições mais vantajosas do que outros produtos de poupança que se encontram, por vezes, disponíveis no mercado.
Deste modo, pode dizer-se que alia a flexibilidade dos produtos financeiros a regras restritas de movimentação e a benefícios fiscais muito interessantes. Assim, estes planos requerem uma ponderação a longo prazo e bem fundamentada.
Importa aqui sublinhar que a finalidade do PPR não é a de rentabilizar a sua aplicação num curto espaço de tempo, uma vez que este capital não estará imediatamente disponível. Assim, antes de subscrever um PPR, como qualquer outro investimento futuro, é aconselhável analisar devidamente as condições associadas ao produto, nomeadamente em que condições poderá usufruir do mesmo.
Dois tipos de PPR
Existem dois tipos de PPR: os fundos PPR e os seguros PPR. E agora pergunta-se, e bem, o que é que os distingue? De forma muito simplificada, a grande diferença aqui é o risco.
Os fundos PPR podem assemelhar-se a um fundo de investimento mobiliário no qual o aforrador detém uma unidade de participação consoante o montante investido, mas não tem capital garantido. Ou seja, neste tipo de aplicação, o aforrador pode perder o capital investido. Mas também pode ganhar muito mais do que nos seguros PPR.
Por outro lado, os seguros PPR têm sim um capital garantido, e não existe o risco de perda do dinheiro investido. Neste tipo de plano, a seguradora aplica o capital do aforrador num fundo autónomo, que tem um rendimento mínimo e o tal capital garantido.
Assim, a escolha entre um e outro vai depender essencialmente da "aversão" ao risco que o investidor tem, mas também do fator da idade com que o investimento é feito - quanto mais jovem for, maior o risco.
Contrariamente, se aquando da subscrição do PPR se encontrar mais próximo da reforma (10 ou 15 anos), optar por um seguro PPR poderá ser a escolha mais prudente, uma vez que tem capital garantido.
Comissões dos PPR
Os Planos Poupança Reforma têm, habitualmente, dois tipos de comissões associadas: a comissão de subscrição e a comissão de gestão de fundo.
Quanto à comissão de subscrição importa saber, a priori, que é um valor pago para poder subscrever o PPR ou para realizar reforços, variando este montante de produto para produto. Existem planos que poderá subscrever com apenas 1€ e outros que podem pedir um mínimo de 2500€. A comissão de subscrição incide, assim, no valor investido.
A título de exemplo, se a taxa de subscrição for de 2% e subscrever 2.500€, pagará 50€ de comissão de subscrição, ou seja, o seu valor inicial investido no PPR será de 2.450€.
Já no que à comissão de gestão diz respeito, esta é diluída anualmente na rentabilidade do fundo para que a equipa de gestão possa otimizar a rentabilidade do produto, ou seja, se no final do primeiro ano o seu PPR tiver uma rentabilidade de 9% e a comissão de gestão de fundo for de 1%, a sua valorização será de 8% sobre o montante investido. Num cenário mais prático, tal significa que, se investiu 2.450€ no PPR, findo o primeiro ano terá 2.646€.
Os PPR têm características muito distintas entre si, nomeadamente, e como já foi explicado, no que toca ao nível do risco que têm associado e, por tal, pode tornar-se complexo escolher entre os que são apresentados pelas diferentes entidades bancárias e seguradoras. Ainda assim, há fatores que o podem ajudar a decidir e, na hora de escolher um PPR certifique-se que o produto é:
1. Rentável - verifique qual a rentabilidade a longo prazo e privilegie os planos que apresentem valores acima da taxa de inflação média, sempre ponderando com o perfil de risco do produto. Sendo que o prazo mínimo de investimento nestes produtos é de 5 anos, privilegie as rentabilidades mais longínquas.
2. Simples - com a leitura do prospeto simplificado, o cliente deve ficar a saber quais os ativos em que o fundo investe, se tem garantia de capital e qual o nível de risco associado;
3. Transparente - o prospeto deve informar sobre todos os custos do produto, tais como comissões de aquisição, transferência, reembolso e custos de gestão anual;
4. Flexível - o produto ao serviço dos subscritores deve permitir que os clientes mudem de perfil de risco sem serem penalizados por isso, mesmo que seja para um PPR da mesma sociedade gestora. Caso contrário quando se encontrar perto de atingir o prazo do investimento e quiser resguardar uma parcela do que já ganhou, boa parte do lucro acumulado fica para a sociedade gestora.