A caba de arrancar a época de exames nacionais e muito em breve chegarão as candidaturas de acesso ao ensino superior. Este é um período muito intenso e stressante para todos aqueles que pretendem ingressar no ensino superior. Para os jovens alunos do secundário que estão prestes a dar um grande salto e também para as suas famílias.
E não é para menos, é uma decisão envolta em incerteza e muito pessoal e não existe um processo de decisão único ou que se possa definir como ideal para todos. Pessoas diferentes, em contextos diferentes ou com preferências diferentes, tomam decisões diferentes. E todas elas válidas.
Os efeitos positivos da educação demoram tempo a materializar-se. Não são instantâneos em termos de carreira ou salários e, por isso, não se consegue determinar o valor de um curso no dia seguinte à sua conclusão
Em média, quem completa o ensino superior tem maior probabilidade de estar empregado e de obter salários mais elevados. Para termos uma ideia, em 2018, os jovens entre os 25 e os 34 anos com licenciatura tinham um salário 42% superior aos que ficaram pelo ensino secundário. E este indicador não é exclusivo para os licenciados. Também aqueles que terminaram cursos Técnicos Superiores Profissionais apresentavam à data ganhos salariais de cerca de 10%.
O "Guia para jovens e pais: como escolher o que estudar?", elaborado pela Fundação José Neves a partir do portal Brighter Future, é também uma fonte importante para a obtenção de informação relevante sobre cursos do ensino superior por área de estudo e região do país; profissões (tarefas, evolução do número de trabalhadores, salários médios, nível de educação mais comum, competências mais relevantes, e muito mais) e competências necessárias para seguir uma determinada profissão ou exercer um determinado tipo de funções.
O Guia, para além de deixar várias recomendações aos jovens e aos pais, desdramatiza o processo de escolha. A decisão sobre o que estudar ou que carreira prosseguir é importante, mas não condicionará a vida académica ou profissional de forma definitiva. Há sempre oportunidade de corrigir ou de afinar a escolha ao longo da vida.
Com uma mesma formação, pessoas diferentes desenham caminhos de vida muito diferentes. Além disso, o mercado de trabalho muda a grande velocidade. As necessidades e os desafios de hoje não são os mesmos de amanhã. Há funções profissionais que atualmente não existem e que exigirão competências complementares ao longo da vida. Além disso, em termos de qualificações, estas podem sempre ser complementadas ao longo da vida. Existem muitas oportunidades para continuar a estudar, seguindo as áreas de formações anteriores ou apostando em áreas diferentes, que vão diversificar as competências. Ou seja, ao optar por uma determinada área de estudo, não se fica acorrentado a essa área.
Todos temos perfis, percursos, contextos e ambições diferentes, o que faz com que não exista uma solução única de formação ou carreira que sirva a todos.
Escolher um curso ou formação pode não ser fácil, mas é apenas uma das muitas decisões que os jovens terão pela frente e não define o resto da tua vida.
O importante é que a decisão seja informada.
O "Guia para jovens e pais: como escolher o que estudar?" está disponível em https://joseneves.org.
Presidente Executivo da Fundação José Neves e membro do Conselho Europeu de Inovação (EIC)