“O sector financeiro vai ser uma das áreas que mais irão ajustar-se.” As declarações de João Artur Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores do grupo CGD (STEC), refletem o atual estado da banca nacional e europeia. Com cada vez menos rentabilidade, os trabalhadores têm sido o elo mais fraco. As notícias de saídas, umas mais negociadas do que outras, sucedem-se em Portugal e na Europa.
Perante isto, e não se podendo evitar as saídas, “esta redução poderia ser acomodada de forma mais pacífica”, entende Paulo Marcos, do Sindicato dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB).
A banca, além disso, é cada vez mais afetada pelo fenómeno da digitalização. “As novas tecnologias estão a tomar conta da vida diária. O uso dos balcões é cada vez menor”, assume Sandra Salgado. “Temos de ser cada vez mais polivalentes”, acrescenta a coordenadora da Comissão de Trabalhadores (CT) do BPI. Muitos bancários terão de passar para os serviços centrais.
Há algumas CT que pedem, por isso, um estudo de mercado ao governo. “É necessária uma requalificação do mercado de trabalho”, defende Rui Geraldes, da CT do Novo Banco e um dos promotores do encontro, em meados de julho, com as CT de outros nove bancos.
Algumas das CT contactadas pelo Dinheiro Vivo alertam também para o fenómeno de externalização de serviços. “O BCP é um banco em que o outsourcing tem aumentado a olhos vistos”, denuncia Eduardo Ferreira, da CT.
Do Santander Totta, João Pascoal indica que “há 20 mil pessoas a trabalhar na área da banca em regime de outsourcing”. Cada bancário “trabalha mais do que 35 horas por semana e chega a ter, em alguns casos, 45 horas semanais”.
O papel dos sindicatos também passa por “sensibilizar o poder político, a opinião pública e as administrações dos bancos” para resolver os problemas do sector, diz Paulo Marcos.