Em véspera de Natal, as previsões de que a economia vai começar a encolher não são uma boa notícia. Mas também não podemos dizer que fomos apanhados de surpresa... Durante todo o ano de 2018 foram vários os economistas que fizeram apostas acerca do momento em que poderá acontecer uma inversão do ciclo económico em Portugal e na Europa, uns apostando em 2019 e outros em 2020.
Já são notórios os sinais de desaceleração emitidos pelos setores do imobiliário e do turismo e também por indicadores como o do consumo de energia elétrica. Regista-se uma desaceleração que, regra geral, antecede um período de menor fulgor económico. Portugal deve preparar-se para isso e munir-se de todas as forças, energias e capacidade empreendedora para continuar a conseguir crescer e exportar.
A propósito destes temas, vale a pena ler nesta edição a entrevista da presidente do ISEG, Clara Raposo, que alerta para o facto de “os investidores começarem a ter dúvidas sobre o potencial de crescimento da economia nacional” no futuro.
O anúncio de excedente de 0,7% do défice público e as previsões económicas do Banco de Portugal, divulgadas nesta semana, em nada descansam os portugueses. O banco central antecipa que o país só deve crescer 1,8% em 2019 (apesar de o governo ter feito um Orçamento a contar com uma expansão de 2,2%). O PSD e o CDS denunciam que esta “é uma situação de alarme” e que “a política económica do governo se esgotou”. São também muitas as vozes a dar conta de atrasos no investimento público, especialmente o relacionado com a aplicação de fundos comunitários.
Os números, tal como o algodão, não enganam. Os tempos vindouros vão exigir ainda maior rigor nas contas, um pé no travão do consumo e outro no travão da dívida.
O que pedir então no sapatinho, na noite de 24 para 25 de dezembro? Crescimento, crescimento, crescimento. Só assim o país poderá preparar-se para um ano novo de maior prosperidade. Boas Festas!