OE2022: Apresentar proposta igual para saúde é fazer "orelhas moucas" a necessidades do SNS

Centenas de trabalhadores do setor da saúde reivindicaram investimento para o SNS e o reforço de recursos humanos, com valorização salarial e de carreiras dos seus profissionais.
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Para a Frente Comum apresentar uma proposta de Orçamento do Estado igual à anterior é "fazer orelhas moucas" à evidência que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa de ser reforçado e espera que sejam feitas alterações.

"Até os indicadores de saúde dos portugueses se têm estado a degradar, ou seja, a resposta que o SNS está a oferecer, ainda que seja absolutamente basilar, precisa de ser reforçada e valorizada e é nesse sentido que assim que tivermos a nova proposta, que esperemos que haja alguma alteração, vamos de certeza lutar também por essa via para o reforço do SNS, ainda que não seja a via única", disse esta quinta-feira o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana.

O dirigente sindical falava no final de uma concentração em Lisboa, em frente ao Ministério da Saúde, onde cerca de uma centena de trabalhadores do setor reivindicaram esta quinta-feira ao início da tarde e ao longo de cerca de hora e meia mais investimento para o SNS e o reforço de recursos humanos, com valorização salarial e de carreiras dos seus profissionais.

Aos jornalistas, defendeu que "o Governo tem meios suficientes para alterar as suas propostas", pelo que a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública espera mudanças na proposta de Orçamento do Estado na área da Saúde.

Sebastião Santana defendeu o SNS "como pilar da democracia" em Portugal e que as políticas na saúde "precisam objetivamente de mudar", pedindo mais investimento público, desde logo para "garantir que os trabalhadores do SNS não se vão embora porque têm carreiras desvalorizadas e baixos salários".

Critica que haja verbas públicas entregues aos privados para prestar o serviço que deve ser assegurado pelo SNS, mas recusou falar em "má gestão", por entender que isso seria "desresponsabilizar o Governo".

"É uma opção política que se faz de não haver investimento neste serviço público e é isso que criticamos", disse.

Para dia 12 está já agendada uma reunião no Ministério da Saúde, depois de as ordens profissionais e os sindicatos dos setores terem sido esta quinta-feira convocados para um encontro com a ministra, uma "reunião técnica" para a qual a Frente Comum garante ir munida com os seus cadernos reivindicativos.

"O Governo apelidou-a de reunião técnica, vamos ver o que de lá vem. Com certeza que nos sentaremos à mesa com os diferentes cadernos reivindicativos que temos para os setores e para continuar a exigir respostas", disse.

Na concentração, que no dia em que se assinala o Dia Mundial da Saúde se centrou na defesa do SNS, Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP-IN, marcou presença para exigir também um reforço do SNS, da valorização de carreiras e salários e para defender que isso tem que acontecer num contexto em que todos os trabalhadores do país estão em perda, com o atual cenário de inflação e de agravamento de preços e, consequentemente, do custo de vida.

"Não é uma exigência de hoje, é uma exigência de todos os dias, esta defesa do SNS, que é uma conquista da revolução do 25 de abril que precisamos garantir que continua e que se reforça e melhora", disse Isabel Camarinha aos jornalistas.

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