Oito em cada dez carros do grupo VW já foram reparados

Mais de 100 000 automóveis já foram às oficinas atualizar software ou instalar estabilizador de fluxo em Portugal. Arranjo entra na fase
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Oito em cada dez carros do grupo Volkswagen já foram às oficinas portuguesas corrigir a fraude nas emissões poluentes. Audi, Volkswagen, Seat e Skoda repararam mais de 100 mil automóveis nos últimos dois anos, segundo os dados das importadoras. Isto corresponde ao arranjo de 83,5% de cerca de 125 mil carros a gasóleo afetados por esta situação em Portugal – 11 milhões em todo o mundo. O processo está a entrar na reta final em território nacional e os veículos que não foram reparados vão chumbar na inspeção periódica.

A Seat Portugal já reparou 77,1% dos carros chamados às oficinas, segundo os dados da importadora enviados ao Dinheiro Vivo. 17 878 dos 23 188 automóveis da marca espanhola já realizaram a atualização de software (motores 1.2 e 2.0) ou instalaram o estabilizador de fluxo (motor 1.6). É a primeira vez que esta marca comunica os resultados da reparação dos veículos afetados pelo Dieselgate.

A empresa aproveitou para defender-se dos problemas ocorridos depois das reparações nas oficinas da marca e que foram denunciados por vários clientes ao Dinheiro Vivo. “Os clientes podem estar seguros de que as medidas técnicas serão implementadas com sucesso. Os reguladores confirmaram que a aplicação das medidas técnicas não afeta negativamente os valores de consumo de combustível, de emissões de CO2, de potência do motor, de binário máximo ou de produção de ruído”, sustenta a marca espanhola.

Não foi isso que aconteceu com o Seat Ibiza 1.6 de Roberto Abraul. “Tive de voltar à oficina da marca por oito vezes. Já instalei dois injetores novos duas vezes, porque o software aumenta a pressão. Dizem-me que está tudo normal, mas o carro fica aos soluços e muitas vezes só anda com três cilindros”, contou este cliente ao Dinheiro Vivo depois de o seu carro ter sido chamado para o arranjo nas oficinas do grupo Volkswagen em Portugal. Por causa de centenas de casos como este está a ser criada uma associação de lesados, que quer ir para os tribunais contra o grupo alemão. As primeiras reuniões deverão ocorrer até ao final de abril.

O grupo alemão introduziu uma medida de confiança, em junho do ano passado, para tentar tranquilizar os consumidores. Dá dois anos de garantia sobre 11 peças alvo da reparação, mesmo para quem foi à oficina antes de junho de 2017. Mas só os carros com menos de 250 000 quilómetros é que têm acesso a esta garantia.

A reparação dos carros afetados pelo Dieselgate em Portugal é obrigatória. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) refere que “um veículo pode reprovar na inspeção periódica caso não tenha efetuado a reparação no âmbito do caso”. Mas ainda não se sabe a partir de quando, porque está nas mãos de Bruxelas.

A SIVA prevê que em abril vai atingir conseguir chegar à meta de reparação de 90% dos carros. A Audi é a marca mais avançada. Regista uma taxa de sucesso de 87,7%, segundo os dados da SIVA, a importadora nacional da Volkswagen, Audi e Skoda.

Na marca-mãe, já foram reparados 85,5%; na Skoda, 70,1% dos carros chamados às oficinas já foram retificados. As oficinas da importadora, ainda assim, vão manter-se de portas abertas para arranjar os carros. E vê com confiança os processos em tribunal: “Todas as decisões têm sido a nosso favor”.

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