As empresas europeias têm maior dificuldade em ganhar o palco da inovação, de forma disruptiva e acelerada, quando comparamos a realidade do Velho Continente com o que se passa na Ásia ou nos Estados Unidos. O que têm esses empreendedores e que nós, europeus, não teremos? A ambição, o private equity, o capital de risco, o quadro legal, fiscal e laboral flexível e a (quase) ausência de medo em arriscar? Provavelmente sim, a ausência de todos estes ingredientes provoca um atraso no Velho Continente face a outros grandes mercados como o chinês ou o americano.
O Conselho Europeu de Inovação acordou para esta realidade e está agora a lançar um leque de oportunidades para os mais inovadores do mercado europeu, onde se incluiu um pacote para Portugal (leia mais no artigo ao lado, nestas páginas).
Portugal é, pelo menos desde o tempo dos Descobrimentos, um país de empreendedores e inovadores que, sem medo nem complexos de inferioridade equivalente ao pequeno retângulo que é o território nacional, nunca se deixaram acorrentar a ideias preconcebidas ou a pessimismos de velhos do Restelo.
Numa altura em que as grandes tecnológicas e não só empurram milhares de colaboradores para o desemprego e em que a economia desacelera, ainda por efeito da pandemia e da guerra, a crise também pode ser uma oportunidade para os mais afoitos, que têm coragem, que agem de modo consciente mas destemido.
A Europa também precisa das suas Google ou Alibaba. Havendo capital disponível, pode dar o empurrão que faltava a tantos fazedores que têm as ideias, mas a quem falta carteira recheada. Em 27 países da Europa, Portugal pontua mal, ou seja, fica já na segunda metade da tabela, no lugar 17. Para as micro, pequenas e médias empresas há 1,13 mil milhões de euros disponíveis, através do CEI.
É hora de dar corda aos sapatos e apresentar boas candidaturas. Se os fazedores não o fizerem, depois não venham queixar-se sempre do mesmo, ou seja, que "não há apoios", "não há capital" ou que "não existem iniciativas com caráter público para dinamizar o ecossistema da inovação". Se é verdade que muito mais poderia ser feito, também é verdade que, tantas vezes, não há candidatos com a garra e inovação que é precisa para agarrar o futuro.
Jornalista