A Oni não se candidatou ao leilão para a quarta geração móvel, mas poderá vir a juntar-se posteriormente em consórcio a um quarto operador que possa surgir no leilão e que poderá ser a ZON.
"Não entregámos a candidatura ao leilão. Sempre dissemos que nunca o faríamos como líder de um consórcio porque não temos dimensão, no limite acompanharíamos um outro operador", disse em entrevista à agência Lusa, o presidente executivo da Oni, Xavier Rodriguez-Martín.
Contudo, isto não significa que a Oni vai estar afastada da chamada tecnologia do LTE (Long Term Evolution), pois um dos cenários equacionados pela empresa é a possibilidade de se juntar, de forma minoritária, a um outro operador.
"Há uma probabilidade de que surja um quarto operador. Ainda está em aberto que a Oni possa ou não formar parte minoritariamente [de um projecto], apoiando com os seus activos e suas capacidades, algum outro operador", afirmou Xavier Rodriguez-Martín.
Questionado sobre se esse operador poderá ser a ZON, o presidente executivo da Oni admitiu que "não seria mau poder trabalhar com a ZON" e, tal como já trabalha com outros operadores fixos, neste segmento, admite o mesmo para o móvel.
"Estamos a falar dos operadores que estão a mudar o 'status quo' e com quem mais temos trabalhado. Ficamos muito satisfeitos que um quarto operador tenha apresentado uma candidatura", sublinhou.
Uma coisa é certa, a Oni defende que vai ser beneficiada se houver um quarto operador a concorrer, "seja ele qual for, porque vai haver mais concorrência", o que, segundo o responsável, "tem estado a faltar nos últimos anos".
Xavier Rodriguez-Martín considera também que o leilão permitirá "muito provavelmente" criar pela primeira vez MVNO's (operador de telecomunicações virtuais que utilizam redes de outros operadores para fornecer serviços) reais em Portugal.
"O ponto fraco é que ainda não está detalhado o 'como' e o 'quando'. Por um lado, estamos satisfeitos dos passos que têm sido dados pelo regulador (como a introdução de limites de espectro no leilão), embora achemos que poderão não ser suficientes para criar uma concorrência efectiva", salientou o responsável.
O presidente executivo frisou ainda a importância deste leilão "para um operador como a Oni" e "para os clientes finais", uma vez que têm acesso a ofertas muito variadas.
O responsável sublinhou que a quarta-geração móvel, em relação às anteriores, abre portas a muitos modelos de negócios, com e sem voz, puramente grossistas, de marca branca.
"Temos trabalhado muito em relação a este processo, como o regulador, com agentes do mercado e fabricantes, porque entendemos que é um momento único no sector porque vai criar um paradigma de comunicações móveis diferente", salienta.
Ao leilão, cujo prazo para a entrega de candidaturas terminou na sexta-feira, candidataram-se os operadores tradicionais de comunicações móveis, PT, Optimus e Vodafone. No sábado, a ZON veio dizer ter entregue um dossier que lhe permite estar qualificada para ir ao leilão.
O regulador tem agora quatro dias para avaliar as propostas. O prazo pode, no entanto, ser "prorrogado em circunstâncias excepcionais", de acordo com o regulamento do leilão publicado em Diário da República. O início da licitação não ocorrerá antes do quinto dia útil seguinte ao da notificação.