Os cargos de professor nas universidades norte-americanas e a forma como eles são financiados tem sido comentado em Portugal. No entanto, as notícias confundem os termos por desconhecimento do sistema americano.
A carreira académica tem três etapas. Começa como professor auxiliar (assistant professor) com um contrato entre quatro e oito anos. Ao fim desse tempo, há uma promoção para professor associado (associate professor) e depois ascende-se a professor (full professor). Dependendo da universidade, uma destas promoções vem com tenure. Essa é de longe a principal promoção na carreira. Um professor com tenure tem um contrato sem termo. Para proteger a liberdade académica, que lhe permita fazer investigação e escrever sem receio de ofender qualquer pessoa ou instituição, é quase impossível despedir um professor com tenure. Por isso, as universidades têm muito cuidado em dar tenure a alguém. Esta promoção, ou contratação externa, é votada por todos os professores do departamento, por vários comités internos e externos, e apreciada por reitores e presidente da universidade.
Dentro do cargo de professor, alguns têm uma cátedra (chaired professor), o que significa que alguém deu o dinheiro para financiar o salário do professor em perpetuidade. Se o José Silva estiver disposto a dar algures entre três e dez milhões de euros, pode criar a cátedra José Silva. Também pode ser a cátedra Cristiano Ronaldo, se assim lhe apetecer e a universidade concordar. Não pode nunca escolher ou sequer indicar quem gostaria que ocupasse essa cátedra.
Pode antes indicar uma área geral que gostaria para a cátedra, como macroeconomia ou energia. Nas universidades mais ricas, como Harvard, ou na maioria das escolas de gestão que são muito boas a recolher fundos, quase todos os professores são catedráticos. Mas, na maioria das universidades de topo, só há cerca de meia dúzia de cátedras num departamento.
Além disso, do lado da investigação há um exército de investigadores, como os post-doc ou os research scholars, que podem ser contratados diretamente por qualquer professor sem grande escrutínio. Do lado do ensino, há os professores visitantes, que por vezes têm o nome de adjunct professor ou de lecturer ou visiting professor, contratados pelo reitor ou chefe do departamento para dar uma cadeira temporariamente enquanto não há professor nessa área. Por vezes, são contratadas pessoas com muito conhecimento numa área específica, como acontece com ex-governantes, para o partilharem com a comunidade académica, o que resulta muito útil para todos. Têm contratos de um ano ou dois. Se são renomeados ano após ano, é porque normalmente são muito populares junto dos alunos.
Não há nenhuma cátedra EDP na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. A EDP terá feito um donativo à universidade. Quase de certeza absoluta, nunca indicou quem quer que fosse para dar aulas durante muitos anos. Se o tiver feito, terá sido ignorada.
Professor de Economia na London School of Economics