Na próxima semana realiza-se em Portugal mais uma edição da Web Summit. Um dos maiores eventos de tecnologia à escala mundial é também uma oportunidade para startups se mostrarem perante mentores e investidores.
A vinda da Web Summit traz muito protagonismo a Lisboa (e espero que traga também a Portugal) e enfatiza, mais uma vez, o empreendedorismo no discurso público. O empreendedorismo está na moda. Sendo importante mostras desta natureza - e a Web Summit é muito mais do que isso - empreendedorismo é, no entanto, também muito mais do que fazer pitch de uma ideia de negócio.
À medida que o discurso do empreendedorismo se torna mais corrente, cresce a tendência para confundir empreendedorismo com aquilo que resulta da atividade empreendedora: a criação de novos bens e serviços, a melhoria ou a criação de novos processos, a criação de modelos de negócio ou, até mesmo, de mercados completamente diferentes.
Usando o montanhismo como metáfora, empreendedorismo será todo o processo de escalada, o qual começa com a decisão de iniciar um novo negócio. É uma escalada que envolve muitos - e essencialmente inesperados - perigos. Conquistar o cume (summit) dessa montanha requer uma árdua e longa viagem!
Um subproduto de empreendedorismo enquanto moda é a quantidade de concursos de “planos e ideias de negócio” que se realizam um pouco por todo o globo.
Os concursos de planos de negócios começaram na Business School da Universidade do Texas, em Austin, no início dos anos 1980. Nessa altura realizavam-se na Faculdade de Direito concursos denominados Moot Court. Nestes concursos, os alunos simulavam a apresentação de argumentos em tribunal na sala de aula. Dois alunos de MBA adaptaram esta ideia para o contexto de uma aula de Gestão. O seu objetivo era que os estudantes concebessem uma ideia para um novo negócio, escrevessem um plano de negócios e apresentassem esta ideia a um painel de empreendedores, capitalistas de risco, contabilistas e advogados. Batizaram esta competição com o nome Moot Corp.
A novidade dos concursos de ideias, assim como a capacidade de simular cenários realistas do mundo dos negócios, fez que estas competições se espalhassem rapidamente - a princípio noutras universidades dos Estados Unidos, depois exponencialmente, para o resto do mundo. Aquilo que começou como um exercício académico, em breve se tornou uma rampa de lançamento para a criação da própria empresa. Com isto, para muitos, o empreendedorismo tornou--se sinónimo de competições de “ideias e planos de negócios”. Esses concursos têm o seu valor, mas um business pitch bem feito, ou um plano de negócios meticuloso, não substituem o processo árduo que é o empreendedorismo.