No enquadramento da importante visita do Papa Francisco, relembro a importância do nosso património imaterial; marcas estruturantes do futuro coletivo de um país com grandes responsabilidades no equilíbrio do mundo.
Uma marca é normalmente referida no sentido comercial do termo, mas uma marca é, na sua essência, um fator agregador intangível, capaz de unir multiplicidades que vão muito para além de uma mera perspetiva comercial.
Neste sentido, Fátima é uma das mais importantes marcas de Portugal, um dos principais altares do mundo, onde Nossa Senhora, a 13 de maio, trouxe à terra um pedido muito especial “recitai o rosário todos os dias para obter a paz para o mundo e o fim da guerra”.
Fátima é uma princesa árabe que por amor se converteu ao cristianismo. Para os árabes, é uma das filhas de Maomé, a mais importante e a venerada no paraíso depois de Maria. Por que será então que Nossa Senhora escolheu um local de origem árabe quando existiam tão próximos, tantos outros de origem cristã? Terá sido Fátima escolhida por acaso ou por mera coincidência?
Não pretendo teorizar sobre religião ou sobre a sua responsabilidade na construção de uma plataforma de entendimento que permita ultrapassar a guerra santa que prospera pelo mundo. O certo é que, em Fátima, existem mais do que apenas coincidências no sentido da amplitude suprarreligiosa da sua mensagem e que me permitem acreditar que aqui se pode mudar o mundo. A reflexão que gostaria de deixar, em modo de desafio, é que tornemos Fátima numa marca ainda maior, um desígnio de Portugal no mundo, uma marca de paz, de convergência ecuménica, de conciliação entre religiões que se dividem mais nos atos do que nos princípios.
Fátima, mais do que um centro de merchandising barato - que mistura sinais de um país ainda pobre com artefactos e camisolas de futebol, tem a oportunidade e quanto a mim o dever, de procurar o seu desenvolvimento económico e espiritual, posicionando-se como o grande centro de fé do mundo. Uma grande marca de paz assente na verdadeira mensagem de Nossa Senhora do Rosário. Portugal, como nenhum outro país, tem a credibilidade para em Fátima, pela paz, acabar com as guerras, fazendo a reconciliação das divergências do mundo e esse é o mais valioso e nobre dos sentidos que se pode dar a uma marca.
Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial