Sou “marquista” e nacionalista. Ser nacionalista, para mim, não é uma opção, é uma obrigação. Não se trata apenas de uma questão de identidade ou de orgulho nacional. Não se trata de conservadorismo, de revivalismo ou protecionismo. Não se trata de querer viver dos juros da nossa memória ou de esperar algum mágico despertar da nossa história.
Trata-se de assumir a responsabilidade de ser coproprietário de um país rico, com uma economia pobre. Sim, somos um dos países mais ricos do mundo no que respeita à nossa história, à nossa cultura, à nossa geografia. Somos no entanto uma economia fraca, desvalorizada, quase pobre. Porque será que não conseguimos equilibrar a balança da nossa marca-nação?
A maioria dos portugueses, no seu íntimo, acredita que somos inferiores, que os nossos produtos e serviços valem menos do que os dos outros países. Desvalorizamo-nos todos os dias com esta atitude de desleixo nacional e, com a ajuda dos interesses comerciais dos outros, enfraquecemos a marca do nosso país.
Somos até crentes que o nosso destino é viver uma vida de martírio, em que culpamos sempre os outros e que, lá fora, está sempre o paraíso. Mas quando o paraíso é cá dentro saímos arruaceiros a criticar o “uberismo”, o turismo, o positivismo e tudo o que seja empreendedorismo que gere riqueza e atrai gente rica.
E como se não bastasse, temos um cianeto de orgulho que nos envenena a alma, pois se nos atacam, somos os maiores da boca para fora, mas continuamos pequenos por dentro. O padre António Vieira dizia num dos seus sermões “se nos vendemos tão baratos, porque nos avaliamos tão caros”. Talvez porque continuemos envergonhados a precisar do reconhecimento dos outros, como se fossemos uma marca-nação adolescente à procura de afirmação; à procura de uma identidade, como se nunca a tivéssemos tido; à procura de validação, de “mentorização”, ou de continuarmos em promoção, como se nos tratássemos de uma marca-nação-branca.
Por muito que nos custe aceitar, o valor intrínseco das nossas coisas extraordinárias não é suficiente. ivemos numa economia onde as marcas nacionais ocupam um papel relevantíssimo no equilíbrio das balanças comercias. A perceção determina a realidade e o valor económico dessa realidade depende da atitude de nacionalismo “marquista”, de cada um de nós.
Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial