Opinião. O mito de Big Bang. É preciso ter uma grande ideia para começar?

É um mito, frequentemente perpetuado pelos media, que os empreendedores de sucesso começam com uma ideia brilhante.
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Até há uns anos, eu andava por quase todo o país a ser convidado para falar de empreendedorismo (até um belo dia que decidi parar com este show da moda). Umas das perguntas que eu gostava de colocar à assistência era: deverá o empreendedor esperar pelo big bang? Uma grande ideia inovadora que irá banir toda a competição? A resposta é simples: não! É um mito, frequentemente perpetuado pelos media, que os empreendedores de sucesso começam com uma ideia brilhante, ou que o sucesso das empresas é construído à volta de algum tipo de invenção ou descoberta.

De facto, “riscos revolucionários” são relativamente raros para explicar o sucesso das empresas. Um estudo pelo investigador Amar Bhide, proveniente dos EUA, revelou que “a execução excecional de uma ideia ordinária” foi citada por nove de dez empreendedores de sucesso como sendo a chave para o seu próprio sucesso, para criar a necessidade “distinta”. Ou, se for uma inovação, esta pode ser pequena e a empresa pode continuar a ter sucesso. Em alguns casos – por exemplo, o Starbucks Coffee – sendo o primeiro ou segundo a dominar um novo mercado é suficiente para fazer a diferença. Ou pode ser uma variação ou uma alteração no produto.

Em muitos casos, os empreendedores mais bem-sucedidos criam o distinto, a sua marca, a sua imagem e protegem a sua vantagem por se moverem, promoverem e andarem sempre um passo à frente da concorrência. Os esforços massivos de marketing são muitas vezes um elemento-chave, no qual a internet pode ser muito importante. Execução da qualidade, flexibilidade, habilidade em descobrir as necessidades dos clientes e o sucesso prometido da produtividade são, normalmente, mais importantes do que uma empresa que fornece um serviço, produto ou modelo único de negócio.

Num outro estudo baseado em cem entrevistas a empreendedores de sucesso, na lista das maiores empresas dos EUA, menos de 10% dos empreendedores apresentavam ideias originais! Aliás, poucos desses fundadores de sucesso eram mesmo os primeiros ou segundos a entrar nos mercados onde operavam. Em vez disso, eles basearam as suas empresas em serviços já existentes, apresentando apenas uma única melhoria significativa – “modificando ligeiramente uma ideia de outra pessoa”, segundo o autor.

Embora seja verdade que só inovar de forma contínua tem potencial para dar alguma garantia de sucesso a médio e longo prazo, não é verdade que para começar é necessário uma ideia brilhante. Como disse Seth Godin, autor de The Bootstrapper’s Bible: “Surgir com uma ideia brilhante para um negócio não é tão importante como descobrir um modelo de negócio que funcione.”

Professor doutorado em Empreendedorismo da Universidade de Évora

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