6 jogos, 6 derrotas, 0 pontos, 14 golos sofridos, 2 autogolos, 1 golo marcado. Estes são os números com que Benfica terminou a fase de grupos da Liga dos Campeões edição 2017/18. Um recorde absoluto. Nenhuma equipa portuguesa tinha batido tão fundo nas competições europeias. E vale lembrar que por lá andaram o Estrela da Amadora, Paços de Ferreira, Belenenses... nem estes três portentos do futebol português foram capazes de tamanha proeza. Já os números do Benfica na Liga Portuguesa são bem diferentes. 9 vitórias, 3 empates, 1 derrota, 30 pontos (apenas a 3 pontos do primeiro classificado).
Confesso que não pesquisei se o Benfica tem mais ou menos penalties por marcar, golos contra invalidados pelo VAR, o que sei é que a discrepância entre o Benfica fora e dentro de portas é assustadora. E esta história repete-se ano após ano, há décadas. Perante estes números, diria que existem dois Benficas: o Benfica real, o que leva 7-1 do Celta de Vigo, 5-0 do Basileia e Olympiacos, o que perde 6 jogos em 6. E o Benfica do Portugal dos pequeninos, onde a realidade é distorcida pelos media, 99,9% dos quais, vermelhos-encapotados. Em Espanha existem jornais e estações de televisão que são assumidamente pró Real Madrid ou pró Barcelona. Aqui nos EUA, a Fox News é assumidamente um canal republicano, enquanto a MSNBC é democrata, sem esconder. Sempre que vou a Portugal e ligo a televisão (RTP, SIC, TVI) ou compro um jornal, só vejo um lado da notícia, o vermelho.
Portugal é o único país no mundo onde existem programas de arbitragem, mostram-se os lances que interessam ao Benfica. Repetem-se vezes sem fim lances duvidosos envolvendo os outros dois e escondem-se lances duvidosos que envolvem o Benfica. Os jornalistas que conduzem estes programas são adeptos do Glorioso. Esta máquina de propaganda vermelha pressiona os agentes, forçando-os a cederem. E ai de quem tenha o desplante de pôr em causa a cartilha. Se alguém, como o ex-árbitro Marco Ferreira, declina emails, não aceita vouchers ou decide falar, é despromovido. O Benfica criado pelos media portugueses, faz o Barbas, o José Castelo Branco e mais 6 milhões de portugueses viverem em permanente estado de alucinação.
Aqui nos EUA acontece o contrário. Trump vive num mundo delirante que ele mesmo criou, e acredita ser o verdadeiro. Acusa os media de distorcerem a realidade, chamando-lhes fake media. Esta semana bateu mais um recorde decidindo dar para exploração comercial grande parte de um dos parques naturais protegidos, o Bears Ears e Grand Staircase-Escalante National Monument. Nunca antes um parque natural tinha sido dado para a exploração nestas proporções. Várias marcas já se manifestaram contra as alucinações malignas do 45, mas nenhuma o tinha posto em tribunal.
A Patagonia, conhecida marca de roupa outdoor, anunciou a intenção de apresentar uma ação judicial contra a administração Trump, para proteger o monumento nacional, deixando terras de importância histórica para as tribos nativas americanas vulneráveis à mineração, extração de madeira e petróleo. E a marca tem grande historial de ativismo ambiental e lança projetos consistentes para incentivar a reciclagem e a reutilização da roupa. Mas este é um passo adiante para qualquer empresa - até mesmo a Patagonia. "Sentimos que temos que usar todas as ferramentas legais que temos ao nosso dispor para o parar", diz Hans Cole, diretor de ativismo ambiental da empresa.
O Benfica é uma instituição secular que me merece todo o respeito, já o Trump não merece respeito nenhum. Faz-me pena o estado alucinante em que os adeptos vivem. Quando confrontados com a realidade, como nesta última semana europeia, é penoso de ver. Será que existe uma marca tipo Patagonia em Portugal que desmascare esta realidade alucinada? Fica o desafio :-)
Y&R North America Executive Creative Director