Opinião. Yes we can - aprendizagem condicionada

Será que existe um gene “queniano”, que faz que os melhores maratonistas, por exemplo, venham de um certo país ou de uma certa raça?
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Foi essa a pergunta que coloquei na minha última coluna. Podemos inspirar-nos a ser criativos ou empreendedores? Ou, pura e simplesmente, devemos render-nos aos nossos genes? Até agora falei do lado “natureza” do debate, sobre o papel dos genes, não apenas para justificar comportamentos e características individuais, mas também tendências sexuais e capacidades atléticas. Recentemente ouvi alguém dizer que os países do Sul da Europa só gostam de gozar uma boa vida! Achei que era um tipo invejoso, mas isso é uma outra história!

Agora falarei do outro lado do debate. Para tal temos de agradecer a uma disciplina da ciência, cujos argumentos têm fortalecido a posição dos “norturistas”! Foi necessária uma criança para demonstrar como o comportamento humano pode ser condicionado. O pequeno Alberto ganhou para sempre um lugar na literatura sobre experiências psicológicas, que estão presentes em todos os livros introdutórios de Psicologia.

No longínquo ano de 1920, na Universidade de John Hopkins, em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, John B. Watson e a sua assistente Rosalie Rayner levaram a cabo uma experiência numa criança de aproximadamente 9 meses de idade, a quem chamaram Albert B. Esta experiência demonstra como a resposta condicionada e comportamento podem surgir mesmo desde a infância.

Naquilo que hoje em dia nunca seria considerado ético - embora tenham contado com a autorização da mãe de Albert -, os investigadores estudaram a aquisição de fobias. A experiência começou com uma série de testes introdutórios, nos quais a criança era confrontada com diversos artigos, tais como um rato branco, um coelho, um cão, um macaco, máscaras com e sem cabelo, lã de algodão e jornais em chamas, entre outros itens.

O pequeno Alberto não revelou qualquer medo em relação a qualquer uma destas coisas. Depois dos testes introdutórios, Alberto foi exposto a um rato branco enquanto estava sozinho numa sala; mais uma vez sem mostrar qualquer receio e inclusivamente até tentando interagir com o roedor. Vieram então os testes de condicionamento. De cada vez que o Alberto tentava tocar no rato, os investigadores produziam um som alto, atingindo com um martelo um cano de metal, após o que Alberto, apavorado, começava a chorar. Após repetida associação do rato com o barulho alto, Alberto adquiriu uma fobia: mesmo quando não havia qualquer barulho presente, Alberto começava a chorar só de ver o rato.

O pequeno Albert B. aprendeu a ter medo, e foi demonstrada pela primeira vez, no campo da psicologia, a “aprendizagem condicionada”. Mais tarde Watson argumentaria como é possível condicionar respostas por parte de humanos: “Deem-me uma dúzia de crianças saudáveis, bem constituídas, e o meu mundo único para os educar e eu garanto que se escolher aleatoriamente qualquer um de entre eles o tornarei no tipo de especialista que eu selecionar, independentemente dos seus talentos, inclinações, tendências, habilidades, vocações e raça dos seus antepassados”.

Na minha próxima coluna, veremos uma história mais recente, dos cérebros das taxistas!

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