É agora ou nunca Europa
Com Donald Trump de mão dada com as big tech norte-americanas, a Europa tem motivos para estar em alerta. Nas filas da frente da tomada de posse do novo presidente dos EUA estavam Elon Musk, patrão da Tesla e da rede social X, antigo Twitter, JeffBezos, da Amazon, Mark Zuckerberg, da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, assim como lá estiveram Tim Cook, da Apple, e Sergey Brin, cofundador da Google e ex-CEO da Alphabet.
Três dias depois, li no site da Bloomberg as críticas duras do presidente dos EUA aos reguladores da União Europeia por visarem a Apple, a Alphabet e a Meta, em processos severos contra gigantes tecnológicas americanas como sendo, nas palavras de Trump,“uma forma de tributação”.
“Estas são empresas americanas, gostem ou não”, disse o presidente norte-americano no Fórum Económico Mundial em Davos, citado pela mesma fonte. “Eles não deveriam fazer isso. Isso é, na minha opinião, uma forma de tributação. Temos algumas reclamações muito grandes contra a UE.”
A Europa não se pode afastar dos seus princípios fundamentais na tecnologia, procurando máxima competitividade. Mas não pode nesta altura abrir uma crise com os EUA, especialmente com a guerra na Ucrânia a depender do apoio da defesa norte-americana.
Não é contra Trump, mas é por uma Europa mais musculada em braços de ferro destes que o relatório de Mario Draghi giza a resposta, num plano europeu para o futuro dacompetitividade. “Os valores fundamentais europeus são a prosperidade, equidade, liberdade, paz e democracia num ambiente sustentável”, dizia, e muito bem, Draghi, acrescentando que o único caminho possível para a Europa é crescer e tornar-se mais produtiva, “e a única forma de se tornar mais produtiva é a Europa mudar radicalmente”.
Pois bem, a Comissão Europeia (CE) já desenhou um plano abrangente para impulsionar a competitividade da UE até 2029, com este propósito de fortalecer a posição europeia na economia global.
É de recordar, por isso, nesta altura os principais objetivos da UE neste aspeto. Começando por promover um ambiente de negócios que simplifique e desburocratize processos, e que estimule o crescimento económico. É preciso acelerar também a inovação digital, integrando tecnologias na indústria, em setores-chave para a economia, com o objetivo de aumentar a produtividade e maior competitividade. E, neste processo, estar na dianteira do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) será fundamental – não é por acaso que Trump está neste momento a querer olhar para a China pelo retrovisor nesta corrida pela liderança na IA. Tal como será fundamental colocar a investigação e a inovação no centro da economia, impulsionar investimento público para alavancar capital privado, acelerando as transições digital, social e verde, promover uma economia circular, que diminua substancialmente o desperdício, e incentivar a descarbonização e práticas sustentáveis na indústria. Para o fim deixei um dos grandes pilares que é a promoção de novas competências, a formação contínua, o reskilling e upskilling – ou seja, olhar para as pessoas com centralidade nesta revolução europeia.
A presidente da CE, Ursula von der Leyen, já mostrou disponibilidade para “dialogar rapidamente, discutir interesses comuns e estar prontos para negociar” com os EUA. E deixou um aviso importante: “Vamos ser pragmáticos, mas iremos sempre defender os nossos princípios, os nossos interesses e respeitar os nossos valores.”
