Análise de mercado: Olhos nas tensões no Médio Oriente
A semana ficou marcada pela escalada das tensões no Médio Oriente, que voltou a assumir-se como o principal risco para os ativos de risco. A subida do petróleo e o aumento da procura por ativos de refúgio, como o ouro, enquanto os índices americanos tendem em baixa, refletem uma crescente preocupação dos investidores com o impacto do conflito nas perspetivas de inflação e nas condições financeiras globais.
Este movimento surge numa altura em que a política monetária deixou de ser o principal motor de curto prazo. As minutas da última reunião do comité de política monetária, divulgadas na terça-feira, 17 de fevereiro, confirmaram um tom ligeiramente mais hawkish e reforçaram a ideia de maior incerteza sobre as próximas decisões sobre as taxas de juro.
O risco associado ao Médio Oriente é duplo. Por um lado, uma escalada do conflito poderá pressionar em alta os preços da energia, dificultando o processo de desinflação nas principais economias. Por outro, um choque petrolífero, neste momento, agravaria as condições financeiras, criando um cenário adverso para o crescimento global e para os ativos de risco.
Apesar disso, os mercados acionistas continuam relativamente resilientes, o que sugere que os investidores ainda encaram o conflito como um risco localizado e não como um choque sistémico.
Esta aparente complacência contrasta com a sensibilidade do petróleo e do ouro, que têm reagido de forma mais imediata ao agravamento das tensões. A curto prazo, a evolução do conflito no Médio Oriente deverá manter-se como o principal fator de volatilidade, sobrepondo-se mesmo às expectativas em torno da política monetária. Qualquer sinal de escalada adicional poderá rapidamente traduzir-se em novos movimentos no petróleo, nas yields e no ouro, reabrindo o debate sobre a trajetória da inflação e sobre o espaço para cortes de taxas ao longo do ano.
